sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

14 Anos

A entrevista de Luís Filipe Vieira à BTV ontem foi mais um exercício de tentar explicar aos mais incautos de que sem ele, o Benfica tinha deixado de existir.
Comecemos pela parte final, onde o Presidente afirmou que nos últimos 14 anos muito se fez pelo clube e que as pessoas não sabiam o que era a mística do Benfica em 2000.

Há uma coisa importante a reter: o Sport Lisboa e Benfica tem 110 anos de história, de conquistas, de glórias, de vitórias, mas também de derrotas, de momentos menos bons e de alturas onde foi preciso recorrer à democracia onde ela não existia no país real, para tornar o clube sempre melhor e ser um dos maiores do Mundo, como sempre foi.
Aliás, democracia é coisa que falta agora num clube que já dava lições da mesma quando o país vivia amordaçado numa ditadura mesquinha e egocêntrica, a exemplo do que se passa agora para os lados da Luz.
Portanto, quando o Presidente diz que "não havia mística no Benfica há 14 anos", era concerteza porque andava a frequentar outras instalações que não as do velhinho Estádio da Luz, mas sim porque preferia andar mais a Norte. Mais: foi a mística que fez com que, durante os 3 anos de Vale e Azevedo, os jovens que o Presidente tanto falou ontem, andavam nas Assembleias Gerais do clube, prontos para enfrentar a direcção da altura e os capangas que por lá pululavam e que entravam à socapa pelas portas laterais do pavilhão da Luz para impedirem e intimidarem os "jovens" e as vozes discordantes de então, que pugnavam pelo Sport Lisboa e Benfica. Ou seja, um pouco como agora... Foi essa mística de 2000 que colocou Manuel Vilarinho como Presidente do Benfica. Curiosamente, no meio de tantos "jovens", Luís Filipe Vieira não era visto por essas Assembleias Gerais, mas isso são contas de outro rosário...

Voltando à entrevista, a questão BES foi esmiuçada durante toda a primeira parte. É curioso ser o Presidente do Benfica a ter de explicar tudo, quase uma semana depois da notícia do Expresso, quando numa situação normal, o assunto já deveria ter sido tratado pelo Departamento de Comunicação amorfo, reactivo e incompetente como o que está no clube, que mais tem servido para as palavras de propaganda, do que para outra coisa qualquer.

Eu acho preocupante que o Benfica tenha tido de pagar 200 M€ de juros em 10 anos. Acho preocupante porque o investimento feito ainda não teve o retorno esperado. E se falamos em 200 M€ de juros, de quanto já terá sido o bolo total?
Também acho estranho que na mesma entrevista se diga que não se pode ligar ao que algumas pessoas dizem, mas depois que se tenha de justificar tudo, como a questão das renegociações dos empréstimos obrigacionistas ou da liquidez de tesouraria do clube, ou até de reuniões que já se deveriam ter tido e não aconteceram.

Quanto ao futebol e às contratações, o mesmo de sempre. A conversa das cláusulas, quando não se sabe o valor das mesmas, pelo menos sem serem confirmadas (basta ir ao site da CMVM para se confirmar nos casos de Oblak e Markovic). 
A conversa do mesmo Oblak já ter sido oferecido e de o Benfica ser um clube "forte" no que à negociação diz respeito, mas quando o esloveno não apareceu pela segunda vez a uma apresentação, o clube não ter sido capaz de lhe meter um processo disciplinar em cima.
As saídas de Gaitán e Enzo serem pelas cláusulas, onde depois se assistem aos fenómenos de cláusulas futuras para que se chegue ao valor estipulado num exemplo que já foi de Di Maria e de Fábio Coentrão.
A questão da formação e dos jovens emprestados foi feita da forma possível. Agora não admito, e aqui a coerência do Presidente deve ser ímpar, é que se diga que vamos apostar nos jovens da formação e os mesmos, depois "não tenham espaço para crescer" (palavras de LFV ontem). Não têm espaço para crescer, e depois aparecem os Luis Filipes e os Candeias desta vida é algo que me faz confusão com este tipo de discurso.

De resto, as palavras e discursos ocos de sempre, como a questão da família e o facto da direcção poder sair, porque os profissionais do clube estão lá, mas que ainda há uma missão a cumprir são os tiques habituais de um velho conhecido nosso.
Hélder Conduto esteve bem, mas poderia ser mais incisivo nalgumas perguntas, mas compreende-se que a própria envolvência da entrevista assim o exigisse.

Cá ficaremos para ver até final de Agosto, o que vai mudar no Benfica ao nível de jogadores e ao nível financeiro, porque se não são precisos avales financeiros, também não é preciso olhar para a câmara e dizer que está tudo controlado e podemos ficar "super descansados"...

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Recordar é viver

A 19 de Maio de 2013, os juniores do Benfica tinham acabado de se sagrar campeões nacionais. O título do post foi: "Parabéns, miúdos" e o corpo do texto este:
Bernardo Silva,
Fábio Cardoso,
João Teixeira,
Pedro Rebocho,
Raphael Guzzo

O futuro é vosso! Assim queira quem manda no Benfica!

Parabéns pelo título.

P.S. Esqueci-me de Cancelo, como é óbvio. Outro talento para ser lapidado!

Parecia que estava a adivinhar com a parte "Assim queira quem manda no Benfica!".
Quem manda no Benfica preferiu mandar para já, Bernardo Silva e Cancelo para outras paragens...

"A estratégia é termos cada vez mais jogadores portugueses no plantel", Parte 2.

O Bernardo, já foi! Próximo?

A democracia no Benfica

"Fernando Santos" continua a dar cartas.

"A estratégia é termos cada vez mais jogadores portugueses no plantel"

O Ivan, já foi. Próximo?

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

E o BI aqui tão perto... (III)

Voltando a 2010/2011, é fácil de depreender o que se passou. Muita euforia assente num futebol espectacular do Benfica na prímeira época de Jesus, que mesmo assim (de tão espectacular) só foi conseguido na última jornada, pelo suspeito do costume, que ontem nos disse adeus.

Fazendo o mesmo exercício do ano após Trapattoni, o Benfica do segundo ano de Jesus fez as seguintes aquisições: Gaitán, Fábio Faria, Jara, Roberto, Oblak, Salvio (por empréstimo), Jardel, Jose Luis Fernandez, Carole, Rodrigo e Élvis.

Olhando para a mesma lógica temos o seguinte:
  • Gaitán (contratado para o lugar de Di Maria por 8 milhões de euros ao Boca Juniors, ainda pertence aos quadros do Benfica e poderá ser considerado como um dos últimos moicanos, ou mesmo, dos últimos resistentes)
  • Fábio Faria (foi contratado ao Rio Ave, para voltar a ser emprestado ao mesmo clube, sem nunca se ter afirmado na Luz, nem a central, nem na esquerda. Um problema cardíaco fê-lo retirar-se do futebol profissional)
  • Franco Jara (anda há 4 anos a tentar ganhar um lugar no clube, entre sucessivos empréstimos. Custou 5,5 milhões de euros)
  • Roberto (É mesmo preciso contar a história do guarda-redes espanhol?)
  • Oblak (contratado com 17 anos, veio para jogar na equipa de juniores e depois na equipa A. Após dois empréstimos, voltou a Lisboa, mas não era opção para a baliza, porque Jesus preferia Artur. Após a lesão do mesmo, Oblak agarrou a titularidade e nunca mais a largou, mostrando ser aquilo que a maioria das pessoas sabia, menos o treinador do clube, que veio admitir este fim-de-semana a sua faceta de troca-tintas sobre um guarda-redes que no início da época não servia, mas que quando saiu, já se sabia que tinha de se substituir. Rendeu 16 milhões de euros ao Benfica)
  • Salvio (veio por empréstimo de uma época do At. Madrid, assumindo-se como uma mais-valia. Novamente, o discurso de não haver dinheiro fez o argentino voltar a Madrid, para duas épocas depois, o Benfica gastar dinheiro na sua aquisição sem se saber o valor. Pertence actualmente ao Benfica)
  • Jardel (contratado a meio da época à Olhanense, para colmatar a saída de meio da época de David Luiz para o Chelsea, tendo sido uma segunda linha de alguma qualidade. Não muita, mas alguma.)
  • Jose Luis Fernandez (o pino que qualquer treinador gostava de ter. Só pode ser essa a razão para a sua contratação)
  • Carole (mais um da infinidade de defesas esquerdos que passou pela Luz no consulado JJ. Mais um que saiu sem brilho)
  • Rodrigo (Envolvido no negócio Di Maria, na própria época que veio foi empretado para Ingalterra. Só na última época explodiu finalmente e viu um fundo gerido por Peter Lim dar 30 milhões por ele em Janeiro último)
  • Élvis (quem???)

De todos estes reforços, o planeamento estratégico do Benfica não conseguiu arranjar um substituto para aquele que tinha sido o verdadeiro pêndulo da época do campeonato: Ramires.
Conseguiu arranjar alternativas sólidas nalgumas posições que não tinha, como Gaitán, Salvio e Rodrigo, assim como a descoberta de Oblak.
Mas a estratégia desportiva do Benfica foi tão boa, tão boa, que a cagança que houve no período entre o final do campeonato ganho e o início da época contra um FC Porto de um Villas-Boas seria a "cereja no topo do bolo".

Aliás, para esse espaço temporal, aqui no Ndrangheta conseguimos perder tempo aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Não vale a pena voltar a repeti-lo. Quem quiser, que perca o seu tempo.

O que agora nos leva a 2014/2015...

Um dia direi ao meu filho: "era o Óscar + 10"


Quando comecei a ir à missa dominical, a minha santíssima trindade era composta por dois bigodes (Bento e Carlão) e um calmeirão loiro. “Não joga puto”, dizia o meu pai. Longe de compreender todas as expressões que os adultos utilizavam, eu concordava. Concordava no sentido em que “não jogar puto” significaria não jogar como uma criança que tudo teria ainda por aprender. Para o meu pai e demais companheiros de bancada, o “Mánika” era o “tosco”, para mim era o tipo que (na pior das hipóteses) molhava a sopa jogo-sim-jogo-não.

O meu pai e os seus amigos confrontavam-se então com a quebra de rendimento do Nené, mas nem queriam ouvir falar na reforma da camisola 7. Os resmungões da geração acima, para quem todas as exibições do Benfica pos-Eusébio eram miseráveis, agitavam-se de imediato: “não jogam nada, nem um, nem outro”. E assim, entre uns e outros, aprendi duas coisas fundamentais e por vezes contraditórias:
1) um avançado é os golos que marca
2) os avançados do Benfica só são bons quando penduram as botas ou se vão embora do Clube



De lá para cá o Benfica teve Magnusson, Rui Águas, Vata, Iuran, Nuno Gomes, Brian Deane, Van Hooijdonk, João Tomás, Mantorras. Todos eles tiveram a sua época de glória, nenhum conseguiu dar real sequência. Uns por incapacidade própria, outros porque foram imediatamente transferidos ou, pasme-se, dispensados. A excepção foi o rapaz paraguaio que 22 anos depois recuperou a camisola 7 para a frente de ataque. E como o seu antecessor, por mais golos que marcasse, viveu uma constante relação de amor-ódio com as bancadas. Mas se Nené vivia com a sombra de outros goleadores, só recentemente se pode dizer que Cardozo teve concorrência à altura.

Nos últimos meses o paraguaio andou desaparecido e passámos mais tempo a discutir hérnias que golos. E 199 golos depois (172 oficiais) ainda há muitos a soltar um “até que enfim”. Mas em pouco tempo, como sucedeu com Nené, Isaías e tantos outros, a sua saudade será consensual.

Na dificuldade em destacar um golo de Cardozo - seja pelo recorte técnico (United na Luz, Taça da Liga em Alvalade, etc) ou pela importância desportiva (Twente fora, Fenerbache
na Luz, Porto na Luz para a Taça da Liga, etc) – fica a última vez que gritámos um golo dele.

ps- Na verdade Cardozo viria ainda a bisar frente ao Rio Ave (algo que todos nos vamso esquecendo, de tão marcante que foi aquele hat-trick para a Taça de Portugal). Aqui ficam os dois últimos golos de Tacuara, ambos de grande penalidade.




Adiós, Tacuara

O sucessor digno de Mats Magnussen, também foi.

Nada está a salvo neste "resgate" no Benfica, nem a memória, nem os golos, nem as vitórias. Nada.

O plano, para mim, é este: dou 4/3 dás-me 1.

Senhores da oposição com "capacidade", é a hora!

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

E o BI aqui tão perto (II)...

Ideias principais do primeiro post:
Lógica sustentada do plantel:

  • Manter os melhores o maior tempo possível (num máximo de 10 jogadores de topo)
  • Segundas linhas complementares e com possibilidade de retorno financeiro
  • Formação com os melhores executantes para colmatar o plantel
Começar a acabar com a hegemonia do FC Porto:
  • Mantendo os melhores jogadores no clube
  • Vencendo as competições, a BTV aumenta o número de subscritores e é capaz de adquirir mais e melhores conteúdos para o canal e mesmo para o clube, em termos de retorno financeiro

E o que é que o Benfica fez? Precisamente o contrário.

A exemplo de anos anteriores (este ano não é uma excepção, ao contrário do que querem fazer crer), o planeamento desportivo do Benfica é sempre feito no limbo, sem percepção do que representa de vez, acabar com o domínio do FC Porto.

Em anos anteriores, durante a pré-época, o carregamento de jogadores tem sido uma constante (média de mais de 10 por época), o que faz com que não haja planeamento que resista a esta tentação vã de encher os bolsos às custas das comissões que se praticam nas transferências.

Olhemos para 2005/2006, a época após a saída de Trapattoni e termos sido campeões nacionais após um interregno de 11 anos. As entradas no plantel do Benfica foram as seguintes: Alex, Beto, Marco Ferreira, Manduca, Marcel, Karagounis, Miccoli, Robert, Anderson, Leo, Karyaka, Nelson, Moretto, Manú e Fonte. 15 contratações durante a época, sendo 5 delas em Janeiro. De todos estes nomes, gostava que que dissessem um que tenha sido proveitoso para o Benfica em termos financeiros:
  • Alex (veio para defesa direito, mas nem aqueceu o lugar. Rapidamente foi para o Wolfsburgo)
  • Beto (Ficou conhecido pelo golo que marcou a van der Saar na Luz, frente ao Man Utd,  no jogo do "pirete" do Ronaldo. Se formos a ver o que ele custou e o que possibilitou com a presença nos oitavos-de-final da Champions, terá sido dos poucos que o retorno financeiro, olhado assim pelo frieza cruel dos números tenha cumprido o objectivo)
  • Marco Ferreira (contratado para ser o "bufo" do Veiga no plantel)
  • Manduca (???)
  • Marcel (custou 3 milhões de euros e andámos 3 anos a tentar vender o gajo mais do que uma vez ao Brasil inteiro)
  • Karagounis (chegou a custo zero e saiu a custo zero)
  • Miccoli (chegou emprestado e não ficou por causa do salário elevado - onde é que já ouvimos isto?)
  • Robert (ficou conhecido por marcar um golo ao FC Porto quase do meio-campo, num frango do Baía)
  • Anderson (chegou do Corinthians e foi para Lyon dois anos depois)
  • Leo (chegou do Santos até ser dispensado por Quique Flores)
  • Karyaka (quantos jogos fez mesmo pelo Benfica?)
  • Nelson (chegou do Boavista até ser vendido ao Betis)
  • Moretto (é mesmo preciso recordar a história do aeroporto?)
  • Manú (mais um jogador proveniente do pacote Alverca)
  • Fonte (o irmão consegue ter mais jogos com a camisola da equipa B do que ele teve com a da A)
Ou seja, dos 15 jogadores acima elencados, quantos foram mais valias para o Benfica? No meu entender, Karagounis, Miccoli, Leo e Anderson e Nelson (a espaços). De resto, nada de novo. 
E o que se passou em 2005/2006 repetiu-se nos anos anteriores, mas com alguma relação em 2010/2011. Que época foi essa? A época após termos sido campeões com Jesus pela primeira vez... 

Perante tão ensurdecedor silêncio...

...é preciso ir ao passado para ouvir o Presidente desaparecido:

"Em 2014/2015 as pessoas vão começar a notar algo de novo no Benfica, nomeadamente em termos de jogadores portugueses. A estratégia é termos cada vez mais jogadores portugueses no plantel. Este [2013/2014] é o último ano em que vamos precisar de vender jogadores".