Minuto 45' + 2' em Alvalade. Pontapé de canto a favor do Paços de Ferreira do lado direito do ataque. A bola sobrevoa a pequena área do Sporting e Ronny num movimento acrobático coloca a bola dentro da baliza de Ricardo. Logo na altura, Ricardo correu em direcção a João Ferreira a pedir mão do jogador do Paços de Ferreira. João Ferreira diz que não viu mão do jogador.
A TV mostra entretanto as diferentes repetições dos diferentes ângulos (entre os quais) um onde não está presente nem o campo do fiscal de linha nem do árbitro onde se vê claramente a mão do jogador do Paços de Ferreira.
Logo as rádios, apoiadas pelas imagens televisivas, dizem que o golo é irregular e os ânimos no Estádio se exaltam e clamam pela justiça que não tinham visto na altura.
Durante o resto do jogo pairou o estigma da injustiça e da piscadela que Ronny lançou para o banco do Paços aquando da saída para o intervalo.
A segunda parte mostrou um Sporting em cima do Paços de Ferreira, com um Peçanha em grande nível e um Bueno que de bom, só tem mesmo o nome.
O Sporting perdeu e decide fazer queixa, porque houve batotice, porque não houve verdade. Esqueceu-se porventura de outros jogos em que foi beneficiado, mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que João Ferreira errou e prejudicou o Sporting porque não tinha uma câmara de televisão atrás da baliza para ver a mão de Ronny e assim, coerente e verdadeiro, disse a Ricardo e companheiros que não viu a mão.
Aliás, esse é o problema dos nossos árbitros de hoje: não terem câmaras de televisão para poderem ver os fora-de-jogo, as mãos e os penaltys inexistentes ou duvidosos. Eles têm de decidir na altura e na altura é que conta. Muitas vezes até, os fiscais de linha interferem para o bem e para o mal, mas também eles não têm TV no local para ver.
A simples ideia de tornar o futebol dependente da TV é uma demagogia só assente em teorias americanas de rentabilizar o espectáculo ao máximo e tirar daí o seu significado de imprevisibilidade adjacente a qualquer tipo de desporto em que duas equipas se defrontam.
Se queremos que os árbitros se tornem profissionais, criem as condições. Não lhes peçam para serem aquilo que não são. E acima de tudo, deixem de ter medo de tomar decisões e criar polémica onde ela não há...
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