quarta-feira, 27 de setembro de 2006

A razão e o coração

O Benfica é o clube do povo. Sempre foi e sempre o será. Isto manda o coração.

No entanto, basta frequentar a garagem do Estádio da Luz em dias de jogos para perceber que o povo não costuma andar de BMW's, Mercedes, Audi's e Porsches, apesar de haver quem faça vaquinhas e consiga ir em Toyotas Hiace's e fazer o farnel mesmo na garagem. Aí, continua a mandar o coração.

O Benfica fez ontem uma boa primeira-parte. Dominou o jogo. Não deixou o Manchester United jogar e conseguiu conter o contra-ataque inglês. Isto é a razão.

No entanto, o Manchester aproveitou o erro e num contra-atque letal, fechou o jogo, amarrando o Benfica a uma prisão de ideias (saída de Karagounis?) e sem espaço para jogar pelas alas. Isto continua a ser a razão.

No final do jogo, Fernando Santos fez a análise do jogo quase correcta. Esqueceu-se de lançar as farpas a quem lhe fez a manta e como ele se pôs a jeito. Aí continua a mandar a razão.

No mesmo final do encontro, Fernando Santos foi brindado com os famosos lenços brancos, mas o treinador fez aquilo que que todos queriam. Jogou com o coração, sem ter razão.

Os mesmos que acenaram com os lenços brancos pensaram que o banco do Benfica era sofrível para uma equipa que quer ganhar ao Manchester United e que por isso mesmo, perdeu o jogo e não o soube dominar por inteiro? Os mesmos que acenaram com os lenças brancos serão os mesmos que irão votar nas próximas eleições do clube, ou vão votar em branco? Os mesmos que acenaram com os lenços brancos estavam a acenar com o coração ou com a razão?

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