terça-feira, 16 de abril de 2013

Saudades do Vale

Lembro-me bem de todas as vezes que fui ao Jamor ver o Benfica jogar a Final da Taça. Era um ritual daqueles valentes, o que faz com que esta presença no final de Maio seja o repetir de tempos idos, que espero eu, se voltem a repetir com maior cadência.

Quem me costuma acompanhar nos meus escritos, sabe perfeitamente que a presença no Jamor e conquista da Taça de Portugal são factores imprescindíveis para o Benfica e que essa presença é apenas o confirmar de que a história e o passado glorioso do clube estão sempre adjacentes a essa presença. É a história e o passado que fazem do presente o melhor caminho para o futuro e não podemos apagar esses momentos. E se os pudermos capitalizar, ainda melhor. Por isso, a conquista da 25ª Taça de Portugal deveria ser um objectivo mensurável para qualquer plantel desde 2005. E depois de conquistar a 25ª, partir na busca da 30ª e por aí adiante. São estes os motivos psicológicos e emocionais que devem conduzir uma equipa e não só o treinador a atingir os objectivos propostos.

Lembro-me bem da minha primeira vez no Jamor. Benfica x Sporting, em 1987, sem a paranóia da segurança e afins. O Diamantino limpou o sebo aos do costume e foi a primeira vez que senti a ânsia de vencer e aprendi os critérios de exigência que me acompanham desde sempre que falo, penso e discuto o Benfica. Nem a derrota de 1989 frente ao Belenenses atemorizou esse sentimento.

Em 1993, talvez a melhor equipa do Benfica que vi jogar deu um recital de futebol ao Boavista. Neno, Veloso, Mozer, William, Schwarz, Paulo Sousa, Rui Costa, Vitor Paneira, Futre, João Pinto e Rui Águas eram os artistas que cilindraram um Boavista atrevido, mas que a classe do "Paulinho" arrumou de vez. Seguir-se-ia o "Verão Quente" e mais um campeonato arrebatado por um daqueles que sentem o Benfica como ninguém e que iriam com ele para a morte, custasse o que custasse.

O regresso ao Jamor deu-se no ano de Féher, de Camacho, de Simão e de Mourinho. Foi tão saborosa a festa, que ter visto o melhor treinador do Mundo furioso com uma derrota mostra que o maior dos maiores também tomba, e se tombar pelo Maior de Portugal, ainda melhor.

No ano seguinte, a dobradinha era o sonho, mas os comportamentos festivos de 11 anos de secura foram demasiados para uma ambição que se queria começar e se deveria começar a construir. Assim não quiseram e ainda me lembro do inespugnabile, em plena bancada central gritar para o Jorginho, do V.Setúbal, lhe dizer que no ano seguinte não ganharia nada, porque tinha assinado pelo FC Porto. Puro engano! Não só ganhou, como foi ele que deu o passo de gigante para esse mesmo título ao marcar o golo em Alvalade que praticamente tinha sentenciado o título. 

8 anos é muito tempo! É tempo demais para um clube como o Benfica estar afastado do Vale. Daquele vale onde as sardinhas, as bifanas, os couratos, os garrafões de vinho, as minis, os medronhos e as batatas fritas irão mandar durante a manhã e a tarde, até à entrada gloriosa num dos mais bonitos "Estádios" portugueses. E é Vale daquilo tudo, porque o Benfica é o clube do Povo, ainda. Das excursões, das viagens longas que desaguam nos pinhais contíguos ao Jamor e que se enchem do vermelho e branco, da exigência, da vontade de vencer e ganhar, que tornaram o Benfica no maior clube português.

Nesse fim-de-semana de Maio, a festa terá de ser nossa. Espero que uma festa de tripleta. E Jesus poderá ter a sua Taça de Portugal. Porque é sinal de que o Benfica terá a sua 25ª. Um número lindo!

1 comentário:

POC disse...

Final de 1993. Uma das mais brilhantes tardes de futebol português.

A minha estreia de Benfica. Um enorme Boavista. E uma equipa do Benfica que se batia com qualquer equipa do mundo, sem medo, sem sequer duvidar de que ia ganhar, fosse onde fosse.

Nunca me esquecerei dessa tarde. Nem da estrela mundial Paulo Futre a jogar como nunca, e logo pelo Maior.

Este artigo trouxe-me nostalgia. Estive NAQUELA final. E claro, na que vencemos à melhor equipa da história dos corruptos. Com o melhor treinador. Fenomenal golo de Fyssas. Guardo-o com carinho por isso.

Um abraço.