domingo, 22 de novembro de 2015

"Se fosse fácil, não seria para nós"

Quando Rui Vitória tomou conta da equipa principal do Benfica, foi-lhe dito que teria as mesmas armas e condições que outros tinham tido.
Das várias armas e condições que outros tinham tido, a Rui Vitória faltava uma coisa importante: romper efectivamente com o paradigma que tinha sido instituído por Jesus nos últimos 6 anos.

Não é preciso referir a pré-temporada da equipa, que ao invés de poder mudar esse paradigma desportivo, optou por manter o paradigma financeiro, tentando fazer aquilo este ano o que as principais equipas europeias fazem há anos. 

A ida de Jesus para o outro lado da 2ª Circular tinha de ter as suas reprecursões quer na equipa, quer na famosa estrutura. 6 anos passados entre o Seixal e a Luz servem para recolher muita informação e conhecimento, para além daquele que já tinha. E nesses campos, temos de incluir a forma de comunicar.

A estrutura do Benfica "aburguesou-se" (como disse Rui Gomes da Silva - facto em que ele tem responsabilidade, uma vez que é vice-presidente do clube) e pensou que bastava seguir a mesma estratégia dos anos anteriores, cientes de que no campo, as coisas funcionariam. Não funcionaram, e continuam sem funcionar.

O Sporting, para além de ter investido em Jorge Jesus e na sua qualidade de treino / jogo, apostou em desenvolver uma guerra, em conjunto com o FC Porto em várias frentes: o Benfica, a Liga e os poderes instalados no futebol português.

O Benfica, pelo seu ódio histórico e intenção de copiar tudo aquilo que nós fazemos. Ter um Presidente que foi membro de uma claque apenas ajudou a essa estratégia de olhar para o Benfica e tudo tem contado para atingir o clube com insinuações, acusações e spinning espalhado pelos jornais e pelas redes sociais. Barulho e mais barulho com a intenção propositada de atingir o clube.

A Liga, através do apoio a Pedro Proença para a Presidência, fazendo dessa uma passagem para a Federação, sempre com o apoio do FC Porto (extremamente calado nestas situações) e que vai tendo em Lopetegui o bobo de serviço nas conferências de imprensa. O objectivo primordial desta campanha é o poder da FPF voltar a bolsos onde já esteve, para que os mesmos de sempre possam voltar a ter poderes de outrora.

E o que é que o Benfica fez acerca disso? Nada.

Aliado à pobre qualidade de um treinador que não se quis impor num plantel cheio de vícios, e onde o sistema de jogo depende de dois jogadores, cabia ao clube e à famosa estrutura trabalhar em vez de aparecer a recolher os louros.
Cabia ao Benfica continuar a trabalhar, como o Sporting tem trabalhado em matéria de comunicação e relações públicas.
O exemplo dos kits Eusébios é o melhor exemplo, onde o Benfica (com uma TV, um site e um jornal, fora os blogs associados) manteve um silêncio incompreensível, deixando na figura de Pedro Guerra, a defesa do clube. Falar sobre Pedro Guerra e a defesa do clube é algo que me transcende...

Já tivemos três jogos com o Sporting esta época. Não jogámos aquilo que temos de jogar, mas o critério dos árbitros deixou muito a desejar nos três jogos. Até aqui, a famosa "estrutura" falhou e a estratégia do Sporting em condicionar resultou. E é este tipo de estratégia que nos tem faltado, seja através da comunicação, seja através do jogo jogado. Se não temos jogo jogado, temos de ir pela outra solução...

Não é agora, no final de Novembro, depois de três jogos com o Sporting, que nos valeu o afastamento do Jamor e a perda da Supertaça, para além ds três pontos no campeonato, que temos de vir lamentar o que se tem passado. Deveria ter sido logo em Agosto, quando se estava a prever o que estava a acontecer.

Agora, no final de Novembro, é tempo de mudar de vez de paradigma. Poderá ser tarde e servir quem mais interesse tem nesta guerra, que é o clube que mais investiu em Portugal nestes últimos dois anos. Clube esse que não é o Benfica. 

Usar a famosa estrutura do clube não é só frequentar as instalações e ver que temos o Benfica Lab, o 360, a formação é das melhores do mundo, mas o que depois funciona por fora, nós nem sequer nos apercebermos.

Mudar o paradigma do clube, apostando na formação de jovens valores, com qualidade suficiente para serem jogadores do plantel principal, mas haver uma estratégia que compreenda o mesmo sistema de jogo para os potenciar ainda mais.

Mas acima de tudo, mudar de paradigma, saltando do falso poleiro onde muitos ainda estão e pensar que nada nem ninguém é maior que a instituição. E como não há nada nem ninguém maior do que a instituição, há que fazer ver a esses que está muito mais em causa aquilo que foi construído ao longo dos anos. 

Somos um alvo a abater. Sempre fomos. Porque somos maiores do que os outros (independentemente dos estudos). Porque somos aqueles que enchem os estádios país fora. Porque somos efectivamente, os maiores. E esse ódio que nos movem devem nos tornar mais fortes e não mais burgueses, pensando que basta ter o nome para o resto aparecer. É preciso começar a agir e é agora. Ou os passos para trás serão bem maiores do que os que temos de dar para a frente...

Adenda ao post:
Dois exemplos claros do que acabei de dizer:

http://abola.pt/nnh/ver.aspx?id=584109

http://abola.pt/clubes/ver.aspx?t=4&id=584113

Entenda quem quiser...

1 comentário:

Pedro disse...

EXCELENTE POST!!!