O Sporting, através das vias normais e devidamente representado, apresenta uma proposta ao Nacional da Madeira para a aquisição do passe de Paulo Assunção. O Nacional aceita e o negócio torna-se público.
Entretanto, aparece António Araújo, dito empresário de futebol e sócio de Reinaldo Teles em actividades "diversas" na cidade do Porto. Mas Araújo não é só empresário de Paulo Assunção: é empresário, segundo se diz, de uma série de brasileiros futebolistas e brasileiras para futebolistas da Região Autónoma da Madeira.
De seguida, o Sporting, que chegara a acordo com o Nacional e com o ... jogador, embica com as sucessivas - ao jeito Tomasson - exigências de Araújo, que demonstra ter um poder extraordinário sob ... Paulo Assunção. O jogador, assim, vê-se obrigado a assinar com o Porto, juntando-se a dois jogadores que, da Madeira, se mudaram para as Antas, sempre com o mesmo empresário a intermediar: Pepe e Rossato.
Rui Alves, o "quinhentinhos", Presidente do Nacional e proprietário de um negócio igual ao negócio de Araújo e Reinaldo, em pleno centro do Funchal - "Fugitivo" de seu nome -, junta-se a Pinto da Costa e Reinaldo Teles, no Porto, proclamando inocência e acusando o Conselho de Administração do Sporting de incompetência. Entre outras banalidades, disse: "é um facto que chegaram a acordo comigo! Mas, primeiro e como fez o Porto, deviam ter chegado a acordo com o jogador ou o seu empresário!". Isto é, na opinião do candidato a Presidente da Liga, actuar de forma ética é atacar o jogador, fazer-lhe a cabeça e, no fim, chegar a acordo com o clube...
No meio disto, o Sporting decide desistir da contratação de Adriano. Como é óbvio, não conseguiram, seriamente, encarar Rui Alves. Nem os bons ofícios de Peseiro, perfeito conhecedor dos "metideros" nacionalistas, conseguiram convencer os administradores do Sporting a fecharem os olhos à situação. Peseiro bem sabia o que dizia: com Adriano tinha sido campeão e ganahava a UEFA, isto, está claro, se tudo corresse de feição...
Adriano terá sido o grande responsável? Em parte foi. "Devia ter aceite Araújo como empresário", dizem-nos conhecidas personalidades madeirenses. Hoje estaria noutro lugar - talvez no Porto? - e não de volta a casa. Mas Adriano tem tanto de bom jogador como tem de inteligência. Não passou procurações nem deu familiares em garantia... E eu que tanta força fiz para que viesse para o Benfica!
PS 1 - Araújo, Pinto da Costa e Rui Alves hão-de encontrar-se algumas vezes mais. Se tudo correr bem, será na sala de audiências do Tribunal Criminal de Gondomar. Todos são arguidos do apito dourado, sendo que Araújo é o angariador de cacau, café, leite, bananas e afins, produtos bem apreciados pela arbitragem nacional.
PS 2 - Lembram-se do que é que Alberto João Jardim disse na véspera de uma decisiva assembleia geral do Marítimo? A verdade é que depois de uma conversa com o verdadeiro dono da Madeira - não é Ramos, nem Berardo, nem Pestana, nem nada que se pareça e também é arguido do "apito dourado" -, Jardim fechou a matraca. É que ainda há quem o cale!
NB - uma nota de alegria: Vieira, o Presidente do Benfica, sempre se recusou a negociar com Rui Alves. Mesmo quando teve tudo para contratar Adriano e Rossato, negou-se a pagar comissões e afins. Negou-se, do mesmo modo, a negociar jogadores dentro de casas de putas, que, ao fim e ao cabo, são as não rameiras em negócios de rameiras.
Já agora uma curiosidade: Rossato, nessa época, foi para San Sebastian e Paulo Assunção para Atenas. Quanto pagaram - e a quem pagaram - Real Sociedad e o AEK Atenas - se bem que neste caso houve empréstimo -, pelos passes?