Reflexo condicionado?
1 – Desde que Luís Filipe Vieira é Presidente do Sport Lisboa e Benfica ganhámos, no futebol, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e um Campeonato. As modalidades amadoras, por seu turno, tornaram-se competitivas, sendo de assinalar títulos obtidos no futsal, voleibol e ciclismo. Em breve, se tudo correr como espero, ganharemos uma Taça Europeia em andebol.
2 – Será pouco? É. Mas, lamentavelmente, é muito mais do que aquilo que ganhámos nos últimos 15 anos…
3 – Por outro lado, através de parcerias estratégicas e complicadas negociações junto de diversas entidades financeiras, Vieira não se limitou a resolver o problema de sustentabilidade que caracterizava a vida do Benfica desde a gestão avarenta de Fernando Martins! Tornou o nosso clube numa instituição cumpridora, que tem apresentado lucros todos os anos, apesar da crise económica que o sistema financeiro atravessa - com o consequente aumento da taxa de juro.
4 – Por fim, o património. Sobre isto, pouco há apontar. Bem pelo contrário: quando Vieira chegou ao Benfica, não havia um metro quadrado que não estivesse hipotecado, garantindo, incrivelmente, empréstimos superiores ao valores de mercado dos próprios bens. Se bem se lembram, até a velha urbanização da zona Norte, onde se situavam as bilheteiras da Rua José Maria Nicolau, fora vendida por um miséria, num negócio altamente suspeito!
Agora, temos um estádio com uma zona comercial que paga o investimento na sua construção – bem ditos alemães… - e temos o centro de estágio, situado numa zona privilegiada da área metropolitana de Lisboa. Podemos, é certo, não ter sobreiros… mas temos área de construção… em breve, muito em breve, o edifício sede estará construído, concretizando, enfim, uma velha aspiração da nossa família: um Estádio, um centro de Estágio e uma Sede! Por outro lado, segundo soube, o edifício da Rua do Jardim do Regedor ainda é nosso!
5 – A mística benfiquista é um problema? Foi! Nos tempos do Azevedo, muitos benfiquistas foram corridos do Benfica. Desde técnicos a jogadores filhos de velhas glórias. Hoje, pelo contrário, temos Eusébio, Chalana, Rui Águas, Pietra, José Henriques e muitos outros. Temos uma estrutura profissional nas camadas jovens que assegura, através de contactos quase diários com velhas glórias, a manutenção de um velho princípio benfiquista: educação cívica, democrática, popular e vitoriosa!
6 – Há um mês atrás, estive com Vítor Martins, uma velha glória do nosso glorioso clube. Quem não sabe que se informe: Vítor Martins sofre de um pgrave problema de saúde!
Sabem o que me disse: “nunca vi um Presidente que prestasse tanta atenção às velhas glórias do Glorioso!”
7 – Uma má época permite devaneios e interesses oportunistas do amigo do alheio? Benfiquistas que se prezam (e com quem me dou…) são responsáveis por oportunistas do género Damásio e Azevedo, tendo corrido com homens como Tadeu. Lamentavelmente, são os mesmos que, agora, pretendem correr com Vieira. Um dia, quem sabe, hei-de perceber porquê… por ora fico com Vieira que é, apenas, o melhor Presidente que vi no Benfica. Falha? Falha. Muitas vezes. Demasiadas, até. Mas falha muito menos vezes do que os outros e acerta no que é fulcral: a sustentação do Benfica!
ADENDA: É evidente que este blog é frequentado por muitos amigos, que sabem quem sou, de onde venho e para onde vou. Sabem, por isso, que participei, activamente, na campanha de Luís Tadeu e do que sofri com a vitória de Azevedo. Mais tarde, de forma menos activa, apoiei, em cima da linha, Vilarinho. Considerei, no entanto, que Vilarinho teve tudo para ser o Presidente mais importante do Benfica desde Borges Coutinho. E, objectivamente, foi!
Só que, lamentavelmente, graças à construção do nosso estádio e há sua amizade de décadas com Hnrique Chaves, envolveu o Sport Lisboa e Benfica na campanha suja de Durão Barroso e Paulo Portas, que tinha por objectivo aniquilar a ala esquerda do Partido Socialista, fosse de que forma fosse - como, tempo depois, se viu!
Pessoalmente e pouco tempo antes de deixar a Presidência do Benfica, disse-lhe o que aqui escrevi, alertando-o, no entanto, para o habitual esquecimento dos homens. Bastava que Vilarinho não embarcasse na tentativa de acabar com as modalidades amadoras para que tudo voltasse à normalidade. Vilarinho não me/nos ouviu e tentou, felizmente em vão, na célebre Assembleia Geral do Casal Vistoso, acabar com as nossas modalidades amadoras!
Vieira percebeu o recado e não se limitou a preencher o vazio! Convocou Fernando Tavares, estabeleceu limites e definiu prioridades. Foi fácil e deu para competir, a sério, com orçamentos controlados...
Mais uma que devemos a Vieira...