Di Maria foi confirmado pela SAD do Benfica como jogador do Real Madrid. O comunicado que muitos ansiavam desde ontem, ao início da tarde (para haver motivo de conversa ao almoço) foi divulgado e ficámos a saber que a transferência de Di Maria para o Real Madrid poderá render 36 milhões de euros. 36 milhões de euros que nunca entrarão no Benfica. Como? É simples.
O passe de Di Maria estava dividido em três partes: 70% da SAD, 20% do Benfica Stars Found e 10% da Gestifute (de Jorge Mendes, o Seleccionador Nacional).
O Real Madrid pagou 25 Milhões de Euros, o que dá 17,5 Milhões para o Benfica, 5 Milhões para o Benfica Stars Found e 2,5 Milhões para a Gestifute. Se considerarmos que o Benfica detém 15% do Benfica Stars Found, ainda acrescenta aos 17,5 Milhões mais 750 mil euros, resultantes da sua participação no mesmo. Ou seja, o Benfica recebe à cabeça 18,25 Milhões de Euros pela transferência de Ángel di Maria para o Real Madrid.
Os restantes 11 Milhões de Euros estão dependentes de dois factores: utilização do jogador e prémios de performance desportiva. Quanto à utilização do jogador, não sabemos qual o limite mínimo ou máximo de jogos na Liga Espanhola, Copa do Rei, Champions League ou Selecção Argentina. Quanto à performance desportiva, falta saber se Mourinho conquista alguma das competições atrás referida.
Mesmo assim, estes 11 milhões serão para quem? Para o Benfica? Ou a dividir por Benfica, Fundo e Gestifute? Perguntas que ficam por responder.
E foi a responder a perguntas que Luis Filipe Vieira foi abrindo o livro com célebres frases durante a pré-época sobre a situação do clube. A questão das cláusulas, a questão de afinal haver um jogador que poderia sair por um valor inferior, a posição irredutível, etc, etc. Quantas vezes vimos Florentino Pérez falar sobre Di Maria? Que me lembre, apenas uma. E foi o suficiente para não se chafurdar mais no assunto. Do nosso lado, quem falou? Vieira, Rui Costa e Jesus, e mais do que uma vez, não se sabendo gerir esta questão, uma vez mais.
E é por falar em gestão, neste caso da comunicação, que encontramos os nossos inimigos. Dentro do clube, é onde eles estão! Porque pensam de forma diferente da Direcção e dos seus acólitos. Porque questionam a gestão corrente do clube. E porque não vêem coerência no discurso e nas acções. E porque estamos a falar de um clube que sempre foi, ou pelo menos, tentou ser, um exemplo de coerência. Os inimigos não se esquecem de Simão e dos jogadores do Atlético de Madrid. Os inimigos não se esquecem dos Andrés Diaz, dos Makukulas, dos Balboas, dos Luís Filipes e afins. Os inimigos não se esquecem do Presidente que não servia para Director do Futebol e usou o nº10 para a missão, mas que continua a fechar negócios e a tomar as rédeas, abdicando do nº10. Os inimigos não se esquecem de que se for preciso aumentar o passivo, aumenta-se, porque fomos campeões e a Direcção tem luva branca para o que quiser. Não nos esquecemos e somos por isso, inimigos.
Inimigos e talibãs, porque queremos rebentar com esta direcção e com o Presidente. Talibãs, porque andamos escondidos e não vamos às Assembleias Gerais que se realizam no Camarote Presidencial do Estádio da Luz. Porque andamos armados e usamos os blogs para nos protegermos com nomes fictícios. Porque assim que nos descobrirem, somos linchados em públicos, como eram os infiéis em Cabul. Por isso, também somos talibãs.
Mas acima de tudo, somos do Benfica. Ninguém é mais do que o outro. Ninguém o é por ser sócio há mais tempo do que o outro ou até por não ser. Somos do Benfica porque na altura má, na altura boa, estávamos lá, a apoiar e a puxar, lutando contra as adversidades, contra os verdadeiros inimigos e contra os talibãs de chinelo, que continuam a aparecer e a pulular como papoilas saltitantes, mas cheias de veneno.
O negócio Di Maria foi um embuste. O Benfica ganha perto de 20 Milhões de Euros, quando deveria ter ganho, no mínimo 28 milhões (já a descontar os 30% de 4o Milhões de Euros, o valor da cláusula de rescisão). E foi um embuste, porque, mais uma vez, o Presidente mentiu aos sócios. E isso deveria ser explicado. De preferência, sem comunicado à CMVM...






