Tenho dito e escrito que o exercício do poder não pode ser casuístico. Bem pelo contrário, sem uma visão de futuro e a projecção de um modelo, com a sua consequente concretização, o poder e a sua imagem serão sempre um balão de ensaio da correcção de erros futuros.
Vieira apoiou Valentim Loureiro, impondo Cunha Leal na Liga. Mal sabia ao que ia… as funções do segundo eram executivas e o regabofe do apito dourado mostrou, à saciedade, que o nosso Presidente foi enganado. Desde encontros às claras, a provocações permanentes, a árbitros escolhidos a dedo para nos prejudicarem e beneficiarem outros, tudo foi possível. Vieira ficou a ver os comboios passarem, sentado na paragem da revolução financeira do nosso clube.
Depois de uma fase de alguma tranquilidade na Liga, o que fez Vieira? Admitiu que o actual Presidente da Liga viesse dos quadros do Porto, sem indagar o que fizera quando teve responsabilidades no basquetebol – uma nojeira, saliento desde já!
Mais, permitiu que a directora executiva continuasse a ser do Porto – irmã de um director desportivo de um candidato ao título! – e deixou cair Ricardo Costa, o pilar da justiça desportiva!
Bom, podia vir daqui alguma jogada de génio… viram-na? Eu vi: nas primeiras jornadas da Liga só não fizeram o que não puderam! Contra a Académica, Nacional (Pedro Proença fez uma arbitragem vergonhosa, protegendo Orlando Sá do primeiro ao último minuto) e Guimarães meteram a carne toda no assador e nos restantes jogos brindaram os nossos jogadores com cartões amarelos sucessivos e em catadupa.
É evidente que fiquei (ficámos) pasmado e irritado. Calei-me para ver o que se seguiria. Viram o mesmo que eu: uma política errática da direcção, apontando caminhos vazios de conteúdo.
Nem sequer uma crítica à cúpula executiva da liga de clubes…
No meio de tudo isto, o silêncio do nosso director desportivo…
Volto a dizer-vos o mesmo que tenho dito em vários quadrantes: tenho medo que Rui Costa saia chamuscado desta brincadeira!
É evidente que deixei de apoiar Vieira e esta direcção (nem sei bem se temos uma direcção ou um conjunto de seguidores de Vieira), mas que me mantenho na expectativa sobre o futuro de Rui Costa. Sei que o seu caminho será trilhado dentro do Benfica, mesmo que a razão o puxe para fora – e neste momento só um coração do tamanho do mundo o levará a tentar dar alguma orientação a um barco que caminha à deriva.
Veja-se, por exemplo, como permitiram que o capitão da nossa equipa – Nuno Gomes -, desgostoso com o tratamento de que está a ser vítima, viesse anunciar em Outubro que nos deixaria em Junho, sem que se saiba se fica na estrutura do futebol, ou não.
Afinal, há lugar para Nuno Gomes no Benfica? Alguém sabe dizer o que se passa?
Vieira está hoje com a equipa. Está porque a equipa está em Angola e parece que, nas palavras do nosso Presidente, é lá que se sente em casa.
Espero que sim. Que se sinta em casa e que venha unida. Sei, no entanto, que tal não sucederá.
David Luiz, Luisão, Javi Garcia, Saviola, Aimar e Nuno Gomes não conseguem ouvir falar do nome do treinador. O guarda-redes é tão, tão, tão fraco que precisa de dois técnicos para o ensinarem a sair com da baliza sem fechar os olhos. Não temos um defesa direito de raiz no plantel. Fábio Coentrão monta-se e desmonta-se para, em todos os jogos, ser o 12.º, 13.º e 14.º jogador. Sidnei, que custou 5 milhões mais 30 por cento do passe de Di Maria (foda-se, que grande negócio do Jorge Mendes!), é uma pequena amostra do jogador pujante e cheio de força que cá chegou em 2008. Jorge Jesus não tem discurso coerente, manda umas bojardas para o ar e chega a mostrar, em conferências de imprensa, um confrangedor desconhecimento sobre a posição relativa do Benfica na tabela classificativa.
E o nosso Presidente? Será que já reuniu com o plantel e tentou perceber o que se passa? Será que pensa que pagar, em desespero de causa, prémios de jogo em atraso, com promessas de prémios futuros, chega para remediar asneiras do passado? Será que já impôs aos capitães um compromisso de futuro, pactuando nos prémios para esta época? Será que os jogadores acreditaram que a promessa desvendada no jornal “O Jogo” de hoje era séria? Será mesmo que o Presidente julga que esta geração de futebolistas não sabe como pode destruir uma época?
Será que o nosso Presidente já se dirigiu a Rui Costa, desculpando-se pelo erro de cálculo e pedindo-lhe, com humildade (esta é quase para rir…), que volte a assumir as rédeas do futebol do Benfica? Será que Vieira aproveitará a passagem por Angola para sentar o quarteto cimeiro da estrutura profissional do Benfica à mesa e pedir, com alguma moderação, para que os superiores interesses do Benfica voltem a vir à superfície, assumindo as suas responsabilidades no que se passou desde o fim da época passada?
Será que Vieira já impôs uma mudança na equipa técnica (digo mudança na e não mudar a )? Será que Vieira já falou com Jorge Jesus e lhe pediu para voltar à terra? Será que Vieira já explicou a Jorge Jesus que o Sport Lisboa e Benfica ganhara, à data da sua contratação como técnico do clube, 31 campeonatos?
Será que, enfim, Vieira já se apercebeu que os sócios do Benfica, como provaram no passado, não passam cheques em branco?
(continua)
Vieira apoiou Valentim Loureiro, impondo Cunha Leal na Liga. Mal sabia ao que ia… as funções do segundo eram executivas e o regabofe do apito dourado mostrou, à saciedade, que o nosso Presidente foi enganado. Desde encontros às claras, a provocações permanentes, a árbitros escolhidos a dedo para nos prejudicarem e beneficiarem outros, tudo foi possível. Vieira ficou a ver os comboios passarem, sentado na paragem da revolução financeira do nosso clube.
Depois de uma fase de alguma tranquilidade na Liga, o que fez Vieira? Admitiu que o actual Presidente da Liga viesse dos quadros do Porto, sem indagar o que fizera quando teve responsabilidades no basquetebol – uma nojeira, saliento desde já!
Mais, permitiu que a directora executiva continuasse a ser do Porto – irmã de um director desportivo de um candidato ao título! – e deixou cair Ricardo Costa, o pilar da justiça desportiva!
Bom, podia vir daqui alguma jogada de génio… viram-na? Eu vi: nas primeiras jornadas da Liga só não fizeram o que não puderam! Contra a Académica, Nacional (Pedro Proença fez uma arbitragem vergonhosa, protegendo Orlando Sá do primeiro ao último minuto) e Guimarães meteram a carne toda no assador e nos restantes jogos brindaram os nossos jogadores com cartões amarelos sucessivos e em catadupa.
É evidente que fiquei (ficámos) pasmado e irritado. Calei-me para ver o que se seguiria. Viram o mesmo que eu: uma política errática da direcção, apontando caminhos vazios de conteúdo.
Nem sequer uma crítica à cúpula executiva da liga de clubes…
No meio de tudo isto, o silêncio do nosso director desportivo…
Volto a dizer-vos o mesmo que tenho dito em vários quadrantes: tenho medo que Rui Costa saia chamuscado desta brincadeira!
É evidente que deixei de apoiar Vieira e esta direcção (nem sei bem se temos uma direcção ou um conjunto de seguidores de Vieira), mas que me mantenho na expectativa sobre o futuro de Rui Costa. Sei que o seu caminho será trilhado dentro do Benfica, mesmo que a razão o puxe para fora – e neste momento só um coração do tamanho do mundo o levará a tentar dar alguma orientação a um barco que caminha à deriva.
Veja-se, por exemplo, como permitiram que o capitão da nossa equipa – Nuno Gomes -, desgostoso com o tratamento de que está a ser vítima, viesse anunciar em Outubro que nos deixaria em Junho, sem que se saiba se fica na estrutura do futebol, ou não.
Afinal, há lugar para Nuno Gomes no Benfica? Alguém sabe dizer o que se passa?
Vieira está hoje com a equipa. Está porque a equipa está em Angola e parece que, nas palavras do nosso Presidente, é lá que se sente em casa.
Espero que sim. Que se sinta em casa e que venha unida. Sei, no entanto, que tal não sucederá.
David Luiz, Luisão, Javi Garcia, Saviola, Aimar e Nuno Gomes não conseguem ouvir falar do nome do treinador. O guarda-redes é tão, tão, tão fraco que precisa de dois técnicos para o ensinarem a sair com da baliza sem fechar os olhos. Não temos um defesa direito de raiz no plantel. Fábio Coentrão monta-se e desmonta-se para, em todos os jogos, ser o 12.º, 13.º e 14.º jogador. Sidnei, que custou 5 milhões mais 30 por cento do passe de Di Maria (foda-se, que grande negócio do Jorge Mendes!), é uma pequena amostra do jogador pujante e cheio de força que cá chegou em 2008. Jorge Jesus não tem discurso coerente, manda umas bojardas para o ar e chega a mostrar, em conferências de imprensa, um confrangedor desconhecimento sobre a posição relativa do Benfica na tabela classificativa.
E o nosso Presidente? Será que já reuniu com o plantel e tentou perceber o que se passa? Será que pensa que pagar, em desespero de causa, prémios de jogo em atraso, com promessas de prémios futuros, chega para remediar asneiras do passado? Será que já impôs aos capitães um compromisso de futuro, pactuando nos prémios para esta época? Será que os jogadores acreditaram que a promessa desvendada no jornal “O Jogo” de hoje era séria? Será mesmo que o Presidente julga que esta geração de futebolistas não sabe como pode destruir uma época?
Será que o nosso Presidente já se dirigiu a Rui Costa, desculpando-se pelo erro de cálculo e pedindo-lhe, com humildade (esta é quase para rir…), que volte a assumir as rédeas do futebol do Benfica? Será que Vieira aproveitará a passagem por Angola para sentar o quarteto cimeiro da estrutura profissional do Benfica à mesa e pedir, com alguma moderação, para que os superiores interesses do Benfica voltem a vir à superfície, assumindo as suas responsabilidades no que se passou desde o fim da época passada?
Será que Vieira já impôs uma mudança na equipa técnica (digo mudança na e não mudar a )? Será que Vieira já falou com Jorge Jesus e lhe pediu para voltar à terra? Será que Vieira já explicou a Jorge Jesus que o Sport Lisboa e Benfica ganhara, à data da sua contratação como técnico do clube, 31 campeonatos?
Será que, enfim, Vieira já se apercebeu que os sócios do Benfica, como provaram no passado, não passam cheques em branco?
(continua)
PS - Sei que para muitos dos que aqui passam não sou só o inespugnabile... Sei e assumo-o. Tenho nome, cara, família, profissão e um clube: o Benfica. Só que não sabia que o texto de ontem - que não queria ter escrito! - ia ter tamanha repercussão, que levou a que alguns amigos se chateassem comigo. Temos pena, diria o outro... Sucede que, neste caso, temos mesmo pena! É que se escrevi o que escrevi é porque estou profundamente desiludido, amargurado e, até, um pouco envergonhado. E esses amigos que se chatearam, fizeram muito bem: chatearam-se porque continuam na via sacra! Infelizmente, sei-o bem, há o ponto de viragem. Espero que o deles não seja demasiado tardio...
Viva o Benfica!

