Entra em campo opulento e convicto de que não vai errar, puxando sempre para trás aquela crina que tanto admira e passa horas e horas ao espelho a ver.
Rumina, rumina e rumina, grita! Esbraceja, volta a gritar, corre que nem um tonto, como só os tontos e pobres de espírito correm. Na procura da glória, na ânsia da vitória, ele corre, ele grita, ele esbraceja.
E continua a gritar. Mexe incessantemente os braços, preocupa-se com as marcações, grita! Volta a gritar! Volta a repreender. A insultar, a denegrir.
1-0, 1-1, 2-1 e 3-1. E sempre com aquela cagança típica de quem no fim disse que a escolha foi dele, porque no misticismo próprio destas coisas, houve uma situação que há 20 anos deu qualquer coisa e ontem poderia voltar a dar outra vez.
Continua a esbracejar. Continua a gritar. A insultar. A denegrir. Manda este e o outro aquecer. Voltam para o banco. Voltam a aquecer. E nada. 3-2. E de repente, quieto. Mudo e calado. A pensar, a andar, a esbracejar, entrando numa espiral nervosa que em nada privilegia os líderes, antes pelo contrário. Continua quieto, mas a esbracejar, sempre a esbracejar, para ganhar adeptos nas bancadas. E volta a demorar a tomar uma decisão. Uma simples decisão.
3-3. Sofrido da mesma maneira das mesmas maneiras que tem sido esta época. Nervoso, impaciente, inquieto. Esbraceja e grita.
No fim, já com o resultado assegurado, vira-se para trás, para aqueles que certamente lhe exigiam uma decisão e insulta. Tão típico da ralé própria de quem nunca vai ter um pingo de classe ou honra.
Acaba o jogo e continua a esbracejar, a gritar, a insultar e a denegrir. E não sairá muito deste estilo.
Podem tirar o homem da Porcalhota, mas a Porcalhota não sai do homem...