Deixei passar esta fase de excitação moral e exibicional que o Benfica nos tem presenteado, para poder falar do que poderia ter sido feito em Janeiro, com a reabertura do mercado, olhando para o plantel do Benfica, que tem posições claramente deficitárias, mas como a equipa vai ganhando, não se fala nisso.
O problema deste Benfica destes últimos anos é mesmo a questão de planeamento de época, onde a vertente financeira manda mais do que a vertente desportiva, quando deveria ser ao contrário, tal como fazem noutros clubes, mas é o que temos.
E o que é que temos em Janeiro?
- Saídas de Bruno César e Nolito
Bruno César custou 5,3 milhões de euros, a auferir um salário na ordem dos 1,5 milhões de euros, num contrato a 5 anos. Entretanto, a meio, vendeu-se 15% do seu passe ao Benfica Stars Fund por 1,035 M€ (recebendo o Benfica por essa verba ainda mais 155 mil euros, equivalente aos 15% que a SAD detém no Fundo). Estando um ano e meio no Benfica, o proveito que o Benfica teve com o jogador foi negativo, uma vez que gastou 5,3 + 2,25 (em salários) e recebeu 5,5 + 1,3 (fundo), ou seja, a performance financeira do jogador foi a de pagar salários, basicamente.
Quanto à performance desportiva, não se pode dizer que a primeira época de Bruno César no Benfica tenha corrido mal, com 12 golos apontados (10 no campeonato e 2 na Champions). Esta época, não apresentou os mesmos níveis de confiança, mas também não creio que tenha comprometido, sempre que tenha sido chamado a jogar, para além de ter polivalência de jogar em qualquer posição do meio-campo. Bruno César talvez tenha tido o azar de apanhar um treinador que o quisesse colocar a jogar a defesa-esquerdo, tendo visto qualquer outra qualidade que não é de fácil conclusão.
O mesmo treinador que embirra com um jogador porque não faz o que ele quer e porque não foi contratado por ele, como é o caso de Nolito. O espanhol chegou, mostrou e bem, que era uma mais-valia para o clube, chegando a marcar em jornadas consecutivas, colocando em causa um recorde de Eusébio, como os jornais gostaram tanto de intoxicar a opinião pública com tal facto. Era dos extremos mais capazes de resolver um jogo, porque o futebol não é só correr, mas também pensar, e assim sendo, com o espaço reduzido, vai para o Granada, a troco de 600 mil euros, até ao final da época.
Duas saídas, que não foram colmatadas no seio do plantel, a exemplo do final de Agosto, onde o recorrer à equipa B foi a solução, porque não se pensou que Witsel, referenciado por meia Europa, desde a sua vinda para Lisboa, poderia sair no mercado de Verão.
- Entradas de Rui Fonte, Diogo Rosado, Bryan Garcia, Wei Huang e Gianni Rodriguez
Se a entrada dos jovens portugueses servirá também ela para alimentar a equipa B, o que dizer da contratação de mais dois defesas-esquerdos (sendo que um está incluído no negócio da renovação de Maxi Pereira) e um defesa-central, ainda por cima chinês? É mesmo esta a necessidade de que o Benfica necessita para o seu plantel principal e para a B?
Onde está o discurso do aproveitamento da formação do Benfica? Onde está o discurso da contenção financeira e de só contratar com critério?
A equipa principal do Benfica carece de, pelo menos, mais um médio centro e de um defesa direito que chateie Maxi Pereira, para poder continuar a participar em bom nível, no que de tão bom tem vindo a fazer esta época. O ritmo de jogos e de competições vai continuar em Fevereiro, e por isso, o Benfica deveria ter feito uma escolha mais criteriosa do que realmente deveria contratar.
Não tivémos, a exemplos de anos anteriores, jogadores fundamentais e titulares a saírem em Janeiro, em busca de melhores contratos, ou para tapar buracos de tesouraria, mas continuamos a contratar muito e mal, como também já aconteceu em anos anteriores, sem o retorno desejado.
A minha esperança é que ninguém mais se lesione, com alguma gravidade, porque se calhar, depois não haverá discurso que valha para um eventual fracasso. E escusam de vir apregoar os moralistas de que estamos à espera de uma derrota do Benfica para dizermos que tínhamos razão. Nós o que queremos é que não seja mais uma vez, a falta de planificação desportiva e estratégica do clube a ser substituída pelo discurso dos erros de arbitragem e pelo sistema, que tão orgulhosamente, o Presidente do Benfica apoiou de forma incondicional...