Meus caros leitores,
Hoje, pela primeira e última vez, chateei-me com um amigo de velha data. Motivo: Carlos Queirós.
Confesso que em primeiras núpcias fui o responsável: nenhum telefonema pode começar com “eu bem vos avisei que o prof. sabe tanto disto como eu sei de marcianos…”. Mas não resisti…
Eu tinha e tenho razão: só um milagre evitará a qualificação para o Mundial e, mesmo que esta aconteça, só outro milagre poderá evitar que a presença no mundial seja pior que a do México ou a da Coreia/Japão.
Por diversos motivos que não vos posso, por ora, explicar, mas por um que já é evidente: quem menos manda na selecção é o seleccionador. Mesmo que percebesse de futebol – e é evidente que não percebe -, tinha de mandar. E não manda!
Manda Cristiano, manda Deco, manda Maniche, manda quem mandar. Mas Queirós está a ver a bola passar-lhe ao lado.
E depois há este comportamento vergonhoso com Nuno Gomes, que esta semana foi o único futebolista profissional português a ter um pingo de dignidade perante o sofrimento dos jogadores do Estrela da Amadora. Se Nuno Gomes, um dos capitães da selecção, ficou em terra, alguém tem de explicar o que se passou. E acho bem que a resposta seja unívoca!
Por outro lado, Queirós meteu o scolarismo na gaveta. O que era, então, o scolarismo?
Como explica o meliante, o scolarismo também teve momentos maus. Scolari agrediu – ou tentou, o que para o caso é o mesmo – jogadores adversários, ofendeu jornalistas, ostracizou jogadores, criou um ambiente hostil aos dirigentes do fcp, etc, etc, etc.
Mas conseguiu construir uma selecção ganhadora e motivante, aglutinadora e eficaz: tudo aquilo que esta selecção não é.
Queirós, ao fechar a gaveta, devia ter-se lembrado do essencial: a selecção, acima de tudo o resto, vive de expectativas. Vive do público, dos portugueses… não vive de camarotes presidenciais, esteja, a seu lado, Vieira, Jorge Pinto – o criminoso – ou Soares Franco. Vive, enfim, de identificação com o povo, o seu verdadeiro suporte.
Em suma, Queirós pode não estar na fase caviar, mas enquanto não descer da lagosta para a sardinha assada, não vai, ao menos em identificação, ao centro do grupo de apoio.
Madail, que devendo muito há inteligência, é fino como um coral, bem sabe que é melhor sair para mijar do que mijar nas calças e aguentar até rebentar. Ao sair da situação de fininho, como se prepara, vai sair a ganhar: Queirós não era aposta de risco, era a aposta possível!
E a Queirós o que resta?
Resta-lhe ter dignidade e assumir o que é evidente: é um bom scout, um bom treinador de juniores. Nunca será um condutor de homens.
Esperemos que ao ver Queirós fechar a gaveta, Madail tenha evitado que o prof. mandasse a chave ao rio…
PS – sempre achei que um jogador de futebol não deve ser um santo. Se quer, nas folgas, beber uns copos, que os beba. Desde que, depois, se apresente em forma! Cristiano Ronaldo, sábado à noite, em Lisboa, portou-se como uma vedeta mal comportada. O seu futuro está quase escrito nas estrelas: será a Paris Hilton do futebol, quando tudo tinha para ser o astro Rei!
O resto? O resto é gente que não interessa.
2 comentários:
Lembram-se deo então treinador do Man United ter dito que Portugal tinha um problema de faltas de ponta de lança???
A partir do momento em que o Nuno Gomes respondeu e que o professor foi escolhido, que isto se adivinhava. Nem que para provar a sua teoria peregrina tenha de jogar com Danny a ponta de lança...
PS: Já agora, haverá algum modelo de avaliação em que este professor satisfaça? Ai Lurdinhas o pelouro deste professor é que devia ser o teu....
Coglionne Nero
Acho que querias dizer só um milagre evitará a NÃO qualificação para o Mundial...
O problema aqui é que continua-se a comparar Queirós a Scolari quando a verdade é que não temos Figo, Rui Costa, João Pinto ou Paulo Sousa... Em vez disso temos uma série de meninos vedetas e um contigente crescente de luso-brasileiros que goste-se ou não descaracteriza a selecção (agora é Liedson e P.Assunção!)
Parabéns pelo blog!
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