1 - Há dois momentos, na história recente do futebol português, inolvidáveis: a substituição de Paulo Torres, ao intervalo, no célebre 6 a 3, e o livre de Petit nos últimos minutos do 1 a zerinho. Se no segundo a vitória do Glorioso se deveu a um momento de sorte, no primeiro houve um bloqueio mental de Queirós, que permitiu a Paneira abrir o livro e fazer da defesa do sporting aquilo que bem lhe apetecesse. E fê-lo...
2 - Ontem, ao intervalo, em Braga, ocorreu um fenómeno parecido: a saída de Ronny...
3 - Tenho assente um princípio: os jogos, salvo excepções e anormalidades, só se ganham dentro do modelo definido para o encontro. Ainda que se defina um esquema alternativo, deve ser dentro desse modelo e não noutro... É a célebre expressão dos 90 % de transpiração e dos 10 de inspiração...
4 - Paulo Bento no início do campeonato foi claro: "tenho um modelo táctico com três defesas, alternativo e que há-de ser muito utilizado!"
5 - Não fosse o ar de mau, alguém lhe podia ter perguntado de se era um modelo preparado para utilizar caso o resultado fosse negativo ou para experimentar quando a coisa corre menos mal...
6 - Em jeito de análise, sempre se dirá que o modelo que não serve de início, quando a coisa ainda está empatada, não servirá, por grandeza de razão, para o meio, quando a coisa já aparenta estar negra.
7 - Muito mais quando, veja-se, a variação não se traduz no reforço de outro sector, uma vez que implica a paralização do meio-campo, com o trinco de origem a jogar na meia-esquerda do sector intermediário, com cobertura, obrigatória, do meio-campo defensivo.
8 - O Professor Jesualdo, outro que com ar de mau apregoa a sistematização do seu conceito, caiu num erro semelhante: tirou Lucho e passou a jogar com três trincos. A regra do seu esquema inverteu-se por natureza: em vez de possuir bola - o princípio do seu jogo... -, passou a recuperá-la(s), sem que depois soubesse o que lhe fazer. Surgiu o empate ontem, como na Madeira, no épico ano da cabeçada do Luisão, surgiu um empate idêntico, pelas mesmas razões, sem que Jesualdo lá estivesse.
9 - A verdade é cruel: interessa recuperar 20 bolas por jogo, mas interessa, muito mais, não perder essas 20 bolas...
10 - Ora, tirar Lucho e meter Bolatti pode ter o seu interesse. Mas recuar Bolatti para o lado de Paulo Assunção e mandar subir Meireles, traduz-se em pouco mais de nada. Muita recuperação e pouco jogo... pode servir para não sofrer (o que, como se viu ontem, não é, em absoluto, verdade). Mas não serve, de certeza, para, daí em diante, ganhar.
11 - São erros que podem custar caro, é certo. Mas são erros de futebol. E quem é que não os comete?
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