segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Na bruma...

"Rui Alves, presidente do Nacional, chegou a ser constituído arguido, mas o seu caso foi arquivado, por não ter sido provado um nexo entre as noitadas com prostitutas e o eventual favorecimento por parte dos árbitros à equipa insular. Segundo os documentos que resultam da investigação criminal que foi realizada em fase de inquérito, liderada pelo procurador Carlos Teixeira, o intermediário seria António Araújo, empresário de futebolistas que fornecia “fruta” (prostitutas) a árbitros “amigos” do FC Porto.Nos mesmos documentos consta, ainda, que, no dia 24 de Março de 2004 – menos de um mês antes das primeiras detenções da operação ‘Apito Dourado’ –, o, na altura, presidente do Belenenses, Sequeira Nunes, telefonou a Pinto de Sousa, líder do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, informando-o de que os “dirigentes do Nacional andavam a encomendar serviços de prostitutas para oferecerem aos árbitros nomeados para os seus jogos”, realizados na Madeira. Sequeira Nunes frisou que tinha sido o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, quem lhe forneceu tal informação.E, a 11 de Abril de 2004, as investigações interceptaram uma conversa entre Pinto da Costa e Pinto de Sousa, em que o líder dos portistas contou ao seu interlocutor que Carlos Pereira lhe tinha dito que o Nacional andava a “presentear os árbitros nomeados para os seus jogos com bacanais”, que se “realizavam nas vésperas dos jogos, com a presença de algumas raparigas, presumivelmente sendo prostitutas”.Inquirido pela Polícia Judiciária, Sequeira Nunes confirmou a conversa que teve com Pinto de Sousa, mas não precisou se o presidente do Marítimo lhe mencionou o nome de algum dirigente do Nacional em concreto. Observou, no entanto, que ficou com “a ideia de que Carlos Pereira estaria a referir-se a Rui Alves, presidente do Nacional”.Nessa época, 2003/2004, o Nacional classificou-se em quarto lugar na Super-Liga, com 56 pontos, ficando apurado para a Taça UEFA.As investigações da Polícia Judiciária do Porto concluíram que o empresário António Araújo, que negoceia futebolistas sem licença da FIFA, contactava os árbitros para o Nacional. Um dos jogos investigados foi o Nacional-Benfica (3-2), numa altura (Fevereiro de 2004) em que o clube da Luz ocupava o terceiro lugar. Segundo o MP de Gondomar, “o FC Porto tinha interesse no resultado do Nacional-Benfica”, dado que os ‘encarnados’ “ainda não” estavam arredados “da discussão do título de campeão.” Por isso, para o procurador Carlos Teixeira, titular do processo ‘Apito Dourado’, António Araújo “estava duplamente mandatado pelos presidentes do Nacional e do FC Porto, o primeiro interessado na vitória do Nacional e o segundo interessado na derrota do Benfica”.O CM tentou ontem contactar Rui Alves, mas o presidente do Nacional nunca atendeu o seu habitual telemóvel.
O árbitro assistente Diamantino Costa informou a Liga Portuguesa de Futebol Profissional de que recebeu uma pulseira em ouro quando esteve no Gondomar-Varzim (0-1), jogo a contar para a 3.ª jornada da Divisão de Honra, que se disputou no dia 17 de Setembro.Segundo apurou o CM, Diamantino Costa relatou à Liga que a pulseira lhe foi metida, sem ele dar conta, no bolso de uma camisa. Como só encontrou a pulseira quando chegou a casa, em Évora, o árbitro fez uma participação do caso à PSP daquela cidade alentejana, onde também deixou a pulseira, assegurou ao CM fonte conhecedora do processo, que solicitou o anonimato.Perante o relatório do árbitro assistente, a Comissão Disciplinar da Liga ordenou a “instauração de processo de inquérito, na sequência de participação efectuada pelo sr. Diamantino Costa (...), para averiguação de factos alegadamente ocorridos após o jogo n.º 02.018 Gondomar Sport Clube-Varzim Sport Clube”.Contactado pelo CM, o presidente do Gondomar, Álvaro Cerqueira, assegurou nada saber em relação à pulseira de ouro: “Só sei que a Liga nos instaurou um inquérito, cujos motivos desconheço. Não sei, também, se houve qualquer participação às autoridades.”Álvaro Cerqueira, frisou, no entanto, que se recorda muito bem da actuação da equipa de arbitragem, chefiada por Paulo Pereira, o mesmo que dirigiu ontem o Benfica-Desportivo das Aves: “Perdemos o jogo com o Varzim, por 1-0, por causa de um erro do senhor Diamantino Costa, que não assinalou um fora-de-jogo mais do que evidente no lance que ditou o golo.”O CM contactou ontem Diamantino Costa, que se escusou a prestar qualquer declaração.
Sequeira Nunes, ex- presidente do Belenenses, confirmou ontem ao CM que informou Pinto de Sousa do caso das prostitutas do Nacional: “Já não me lembro se fui eu que liguei a Pinto de Sousa ou se foi ele que me ligou. E mais não posso acrescentar.” Já Carlos Pereira, presidente do Marítimo, disse: “É uma situação que deve ser esclarecida pela Justiça, Liga e FPF. Além disso, este é um momento em que necessitamos de tranquilidade para devolver a credibilidade ao futebol.” APITO DE OURO FALSIFICADOParte do ouro oferecido aos árbitros acusados de corrupção desportiva no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ será falso, de acordo com uma peritagem efectuada pela Contrastaria do Porto. As análises revelaram a existência de vários lotes com peças em que não aparecem as marcas de punção e outras relativas a fabricantes que não estão licenciados, situação que impedia tal ouro de ser posto no mercado.O Ministério Público, segundo o ‘JN’ de ontem, terá extraído uma certidão do processo principal, por em causa estar o crime de contrafacção de selos, cunhos, marcas e chancelas, punido com pena entre um e cinco anos de prisão. Para o procurador Carlos Teixeira, o principal suspeito será o ourives, António Ribeiro, que fornecia o ouro que os dirigentes do Gondomar ofereciam aos árbitros. O CM tentou ontem contactar o comerciante, o que não foi possível até ao fecho desta edição.
Agora o senhor que se segue:

"Hermínio Loureiro encarou bem de frente os principais problemas que ultimamente denegriram a imagem do futebol português, ao falar ao final desta tarde no Porto no acto de posse de presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

Assumindo ser do Sporting, e frisando que não vê qualquer problema nisso, Hermínio Loureiro, 40 anos, aveirense que rende Valentim Loureiro no cargo, enfrentou bem de frente e de forma perfeitamente clara as principais causas que estiveram na base dos «casos» Apito Dourado e Mateus.«Não gostei do que vi, ouvi e li nos últimas semanas e optei pelo silêncio pelo respeito institucional», afirmou a abrir o longo discurso o novo líder da Liga de Clubes, para acrescentar de pronto que «hoje, já empossado, nada, mesmo nada, ficará por dizer».E perguntou: «Afinal o que ganhou o futebol português desde 10 de Agosto, dia das eleições, até hoje? Nada, o futebol português perdeu sim credibilidade, o futebol profissional perdeu também um patrocinador da II Liga».Loureiro referiu que «esta casa existe para prosseguir o bem do futebol profissional».Mais à frente, o novo presidente da LPFP disse: «Não me acenem com a extinção da Liga. Nos quatro anos próximos vão ver para que serve a Liga».E veio o «caso Apito Dourado», a primeira questão quente abordada por Hermínio Loureiro: «Os factos deste processo em nada dignificam o futebol, este processo é hoje uma vergonha para a Justiça portuguesa. Aguardarei apenas alguns dias para que o novo Procurador-Geral da República tome posse para nesse mesmo dia solicitar uma audiência».Para Hermínio Loureiro «a Liga tem que ser um agente activo. A credibilidade do futebol português tem que ser recuperada. Não vou cair na tentação de criticar os jornalistas por darem notícias. Alguém as transmite, alguém lhes dá as informações. Vamos acabar com estas brincadeiras, sem branqueamentos».E prosseguiu: «Não vou descansar. Quero que a Justiça tenha a palavra, acredito nela, não esperem que fique de braços cruzados pois há muito que fazer».O «caso Mateus» veio a seguir: «Trata-se de uma vergonha que não é da responsabilidade do Gil Vicente nem do Belenenses. Este processo só se transformou num caso porque alguém demorou em estudá-lo. Se fosse resolvido mais cedo pela Justiça Desportiva tudo teria sido diferente».Referindo ter sido desafiado (ou maltratado) por este silêncio, Hermínio Loureiro disse que «era meu dever aguardar e opinar no momento e lugar adequados».O novo presidente da Liga anunciou que «em parceria com a Federação Portuguesa de Futebol pretende a Liga fazer realizar a Taça da Liga porque não é possível a uma indústria como é o futebol profissional estar quatro meses sem competir. Isso não é aceitável»."
Amanhã prometo comentar...

Sem comentários: