segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Qual é o espanto?

Em 2000, estava João Pinto a fazer um Europeu memorável com a nossa Selecção, que por acaso não tinha um brasileiro no comando e ficou nas meias-finais da competição, quando semanas antes, João Vale e Azevedo tinha chegado a um acordo com o jogador para o terminar do contrato que ligava JVP ao Benfica.

Na altura, a SIC e Rangel dominavam a máquina da propaganda (eu estava lá e sabia como funcionava...) e Vale e Azevedo foi ao Jornal da Noite ter o descaramento de dizer a Paulo Camacho que o Benfica ainda ficava a perder com o negócio, gozando com o entrevistador e com os milhões que o seguiam cegamente.

Acontece que na altura, José Veiga (o impoluto gestor...) já tinha sonegado ao Benfica Paulo Sousa e Pacheco no Verão quente de 1993 e acabava por sonegar ao Benfica em 2000, apenas o seu melhor jogador da altura. Tudo, claro está, em prol do Glorioso clube encarnado.

Do outro lado da Segunda Circular, Luís Duque começava a tentar construir uma equipa do Sporting que pudesse lutar por todos os títulos que disputava, contratando tudo o que mexesse e fosse de relativa qualidade. Por isso, Dimas, Paulo Bento, Sá Pinto e João Pinto foram os pretendidos.

Antes de estar livre e para acautelar o seu futuro, uma vez que o clima na Luz não era o melhor (e não é preciso relembrar a venda de Gamarra...), João Pinto encetou contactos, através do seu amigo e empresário na altura José Veiga para uma colocação num clube de nomeada. Eis que aparecem Luís Duque e Carlos Freitas, em representação do Sporting para um negócio que seria proveitoso para ambas as partes. Como João Vale e Azevedo não era parvo nenhum, também quis fazer parte do negócio.

E assim foi fácil para todos. Simulava-se uma rescisão de contrato, o Sporting contratava JVP no denominado custo zero, que na realidade foram 1 milhão de contos a serem repartidos entre jogador, José Veiga, Vale e Azevedo, Luís Duque e Carlos Freitas, sem que ninguém desconfiasse do que quer que seja. O negócio estava feito, a propaganda tinha funcionado e o Benfica tinha sido expoliado mais uma vez pelo sr. Veiga.


6 anos após o acontecimento, as pessoas que desapareceram de cena foram Vale e Azevedo (ainda a contas com a justiça) e Luís Duque (que da última vez que o vi andava por Santarém...). João Pinto está em Braga ainda a deslumbrar, José Veiga era Director Geral da SAD do Benfica a semana passada e Carlos Freitas é hoje um dos administradores da SAD do Sporting. Os mesmos protagonistas ainda cá andam.

De referir ainda e em jeito de conclusão que Alcino António, actual responsável pelas Casas do Benfica e antigo candidato a Presidente do Benfica, era em 2000, a pessoa responsável pela conferência de imprensa em que João Pinto declarou a sua rescisão de contrato com o Benfica. Coincidências?

É estranho, mas mesmo muito estranho que tenha aparecido uma carta na PJ sobre esta situação. Veiga é um alvo a abater, e ainda por cima, depois de se envolver no túnel do Dragão. Coincidências?

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