sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Do futebol negócio

4 pontos fundamentais que traduzem aquilo que nós sonhamos o que o Benfica deve ser e o que ele realmente é:


  • Bernardo Silva - A exibição de ontem do jovem talento que o Benfica tem emprestado no Mónaco, frente à selecção da Holanda, voltou a despoletar (mais nos jornais desportivos) as tomadas de decisões sobre os jovens jogadores da formação do Benfica, actualmente a melhor do país.
    A questão de Bernardo Silva é realmente intrigante. É o melhor talento que saíu do Seixal nos últimos anos (logo após Nelson Oliveira) e por isso, é natural que as expectativas sobre ele estejam bem elevadas. Não é uma questão de o proteger porque é novo, porque é português ou porque não sente a pressão. Todas estas questões são mitos colocados, porque o jogador ou tem ou não tem qualidade. E Bernardo tem-na. E muita. A questão da pressão no Benfica é uma falsa questão porque os miúdos da formação do Benfica, desde os 10 anos, que onde quer que vão, têm que provar em todos os jogos que são jogadores para o Benfica e a pressão está lá, indirecta ou directamente.
    Tomou-se a decisão de este ano, Bernardo Silva ir para uma equipa onde pudesse jogar regularmente, especialmente na Champions League, mas que acima de tudo, tivesse um treinador que apostasse nele. Leonardo Jardim tem feito isso aos poucos. Resta a Bernardo fazer o resto, e se tudo correr com naturalidade, teremos o menino de volta para o ano na Luz, a jogar no seu estádio e clube do coração (condição muito em falta nos tempos modernos deste futebol).
  • Júlio César - O Benfica esteve quase até ao último dia para fechar contratações e em várias posições fulcrais. Obviamente, como alguém disse no final da AG, o Benfica não é o "Manchester United" ou o "Real Madrid" que pode se dar ao luxo de gastar 20 milhões num Rojo ou 75 num James Rodriguez. Mas a escolha de Júlio César, apesar de ter sido uma boa escolha, veio carregada de dúvidas, como os últimos tempos mostram. Com um Artur a tremer demais e sem uma verdadeira alternativa, vamo-nos remediando com estes jogadores, que a bem ou a mal, representam o clube. Resta olhar novamente para a formação e tentar que Bruno Varela ou Miguel Santos não se tornem em Paulos Lopes desta vida, que só aos 35 anos é que são chamados à casa mãe, para preencherem quotas impostas pela UEFA. 
  • Preço dos bilhetes / Assistências na Luz - Foi uma das promessas do Presidente na última campanha, e ao fim de quase dois anos, começou a implementá-la. A redução dos preços é uma realidade, mas as assistências na Luz continuam a ser as mesmas. Esse assunto já foi mais do que referido, já foi mais do que discutido e o próprio Benfica tem tentado arranjar formas de encher mais vezes o Estádio. Deveria até ser alvo de um estudo sociológico o porquê desta ausência. Do último jogo com o Arouca na Luz, lembro-me de uma situação, que muitas vezes pode originar algumas ausências. Jardel foi entrevistado para a Benfica TV no pré-match, junto a uma das bandeirolas de canto. Após a entrevista, começou a distribuir autógrafos e o assessor de comunicação começou a puxá-lo para voltar para dentro da zona da equipa e para o seu camarote. Entretanto, Jardel ia resistindo, já que estava num momento de interacção com os adeptos e sócios do clube, até que ao infímo toque nas costas, lá decidiu ir. É este tipo de afastamento, de se colocarem os jogadores isolados no Seixal, sem irem a Casas do Benfica para sentirem a essência do clube, do país e da sua rede de adeptos que fazem com que prefiram sempre outros campeonatos do que o nosso. Obviamente que a questão financeira é importante, mas esta "ausência" de contacto com os jogadores a isso favorece.
  • "Alianças" - É importante saber o que interessam estes movimentos para as eleições da Liga de Clubes: a falta de liquidez de Joaquim Oliveira. É esse o principal problema e o principal motivo para esta repentina "conjugação de interesses". A Benfica TV consegue suplantar qualquer valor que a Olivedesportos paga a clubes em Portugal e isso é um problema. Seja para a Olivedesportos, seja para a própria Liga, na lógica dos direitos de TV distribuídos para todos os clubes. E é aqui que o Benfica tem de intervir e ter uma posição clara. Ou abdica do seu valor anual (que é muito improvável e ainda bem que o é) ou arranja uma solução onde os clubes ganhem mais dinheiro (para além das receitas de bilheteira). É sabido que é nos jogos com o Benfica que os outros clubes fazem mais dinheiro. E é nesse argumento que o clube tem de entrar e esgrimir argumentos, mostrando a sua força como maior clube português. Independente de alianças e argumentos bacocos que emanam dos media.

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