quarta-feira, 29 de maio de 2013

A dimensão ética da coisa....

Tinha-me reservado ao silêncio nesta sede por resguardo sentimental e não manifestar euforias nem pessimismos, bem como para não problematizar a vida do clube - ainda que com razões objectivas para que fosse feito - quando tudo apontava para que vivesse a melhor época que, em vida, teria.

Dessa fezada para o profundo desgosto e letargia que ainda me sinto, decidi que tão depressa não falava sobre o Benfica até porque sinto-me cansado com tudo o que se passou, com os sacrifícios ém vão do último mês, com mais um episódio de invenção regeneradora para o sucedido e nova crença a partir de Agosto.

Porém, e porque anos volvidos vi-me novamente sozinho numa roulote com o inespugnabile, a desinfectarmos as feridas com as asépticas minis, recordámos os duros tempos em que se bebia derrotas em primeira mão de provas europeias, em que se perdia em casa para a Taça com clubes da segunda de honra, em que os campeonatos acabavam no Inverno.

Hoje os tenmpos são outros. O que se passou é duro. Foi cruel e com requintes de malvadez. Mas ainda que seja fraco consolo há que pôr os pés na terra e perceber que é melhor conseguir chegar lá do que não chegar. Mesmo que custe mais. É certo que ainda antes do desaire da taça, um amigo meu defendeu - e bem - que a beleza das coisas não se vê só na chegada pois o caminho também é importante, tal como a maneira como o mesmo é trilhado. E tem razão quanto a tudo quanto se viveu esta época até ao fatídico jogo com o Estoril.

Só a glória desta época apagava o azedume da anterior. E com tudo a ganhar, perdeu-se tudo. Bom, também o Bayern de Munique o ano passado (taça e campeonato às mãos do Dortmund) e a final da Liga dos Campeões, no próprio estádio, da maneira que foi...

Na altura, decerto que os bávaros experimentaram as mesmas sensações e decerto que muitos queriam a cabeça de Heynckes (acho que é assim que se escreve - se tivesse ganho onde devia, sabia de cor!).  Ora, os resultados estão à vista. Este ano ganharam tudo! Alguna lição a tirar? Talvez.

É que a estabilidade no Benfica tem dado frutos mesmo que, por um ou outro minuto, não tenham sido os mais saborosos.

Não quero com isto dizer que defendo ou não a continuidade de Jorge Jesus pois não coloquei ainda na balança os muitos argumentos pró e contra.

Ainda na esteira da ideia de continuidade como uma mais-valia em si, há que resvalar para a dimensão ética do Benfica. E por esta via, se os contratos são para honrar, honrem-nos. E isso foi feito até para com a Olivedosporcos.

Ora, se o Presidente disse que JJ é o seu treinador, deve manter a cara. Se assumiu um compromisso, verbal ou não, honre-o. Porque colocar as coisas na tónica do contrato já estar assinado e agora haver um brutal cláusula indemnizatória seria, de facto, pragmático mas desvalorizava a tal dimensão ética da qual não é lícito fugir.

E não se diga que esta filosofia é de escuteiro ou inocente. Não. Trata-se apenas e só de não perdermos a identidade genética de conduta moral, de princípios e caveilhirismo ínsita ao clube da Farmácia Franco.

É que, além do mais, e como o inespugnabile um dia poderá abordar o assunto como então o fez, já se viu que o Benfica a jogar o jogo do inimigo, com as armas e em campos que não são os seus, perde. E se ér para perder, que não percamos a nossa identidade.

Daí que, em obediência ao superior compromisso já assumido, e nesta perspectiva, Jorge Jesus deve continuar.

E não há dúvidas que a decisão que Vieira tomar maracrá os próximos anos do Benfica e a sua própria continuidade.

4 comentários:

V disse...

Escuteiros, princípios!?
O superior compromisso do LFV é para com o clube e a defesa dos interesses do mesmo, o que é ético é ele fazer o melhor para o clube o que neste caso é a saída do JJ, salvar a própria cara e por os interesses do clube em segundo plano isso é que não é ético.

Ética é não é ceder ás chantagens de um treinador pobre e mal agradecido que fartou-se de cuspir no prato em que come.

Ética é não idolatrar um treinador que se julga acima do clube e que já há muitos anos tinha demonstrado todo o seu anti-benfiquismo.

Se essa identidade, conduta moral, etc ainda existisse um homem como o JJ nunca era treinador do SLB.

Abaixo os falsos ídolos e moralidades, viva o SLB!

Pedro Leal disse...

Grande texto. Cabeça fria, memória, honradez. Não é fácil ficar com Jesus, mas o Benfica merece cabeça fria, memória e honradez.

preis disse...

Concordo em absoluto com o que é dito !

PR Matosinhos.

Pedro disse...

Era a primeira época de Jupp...esta é a quarta de JJ.

Não é comparável.