sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Com um orgulho muito seu"

Quando vi a bola cabeceada por Ivanovic fazer o arco quase perfeito e ouvi os adeptos do Chelsea gritar do outro lado da bancada, o meu olhar ficou fixo naquele momento, tentei esconder a cara e apeteceu-me meter num buraco, para esconder a minha frustração de voltar a reviver o mesmo tipo de momento que tinha acontecido 4 dias antes.

"Não é possível!", murmurava para mim próprio. "Não pode ser." Passa tudo na nossa cabeça. Tudo. Todas as histórias ouvidas antes, todos os factos que aconteceram antes, o passado, o presente e o futuro. Tudo passa naqueles breves instantes. E nem mesmo com a secreta esperança de que no último momento do jogo, Cardozo possa novamente alegrar a nossa vida, a esperança desvanece-se na precisa altura em que o árbitro apita para o final.

"Outra vez", volto a murmurar. Outra vez? Mas quando é que tinha sido a última vez? Em casa, a ver na TV o golo do Rijkaard. Foi há 23 anos. E o facto de termos voltado novamente à ribalta europeia (porque é sempre uma final europeia) é sempre uma vitória, onde a Glória se revê quando levantamos o caneco.

E mesmo depois de ver a festa dos ingleses, e o desespero dos nossos, é aí, nesse ponto, que o facto de ser benfiquista toma a sua verdadeira dimensão. O Benfica chegou a uma final europeia 23 anos depois da última, mas no Amsterdam ArenA, era como se fosse a primeira. O apoio dado à equipa, o futebol jogado por ela, mereciam mais do que aquilo que conquistaram na passada quarta-feira.
Mas o orgulho que cá está, misturado com a tristeza de não ter ganho a Liga Europa, faz-me confiar no futuro, que deveria ter sido sempre o presente e o passado do Benfica.

"Com um orgulho muito seu", diz o hino do Glorioso. Com um orgulho muito meu e dos meus, que estiveram em Amesterdão. Que fizeram sacrifícios pessoais e profissionais, para verem o seu Benfica, o Benfica de todos nós. Muito Obrigado!

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