terça-feira, 11 de junho de 2013

Jorge Jesus e a Renovação (II)

. Os Contras

Depois de analisados os prós da renovação de Jorge Jesus, é tempo de analisar os aspectos negativos que marcaram este tempo no Benfica. Para ser coerente, também consegui arranjar 5 itens negativos:
- 1 campeonato em 4 anos
- Inteligência Emocional
- Relacionamento com os jogadores
- Vencimento anual auferido / Objectivos
- Mau planeamento

A conquista de 1 campeonato em 4 anos é talvez o maior contra que Jorge Jesus tem a seu favor. Se no 1º ano, a conquista do campeonato foi feita na última jornada, no 2º ano, a soberba, a garipa levantada e o desprezo por um treinador jovem fez com que a época acabasse a mais de 20 pontos, em nada compensados pela meia-final da Liga Europa, já que o caminho para essa competição pode ser agradecido a Lacazette, que fez com que o Benfica passasse em 3º num grupo da Champions League onde Schalke 04, Lyon e Hapoel Tel-Aviv estavam presentes. E nos dois anos seguintes, duas vantagens pontuais que se esfumaram e assim não se conquistou nada. Em 4 anos, apenas uma presença no Jamor e com o resultado que conhecemos, não esquecendo a perda da vantagem que se trouxe numa meia-final de um jogo no Dragão. As 3 Taças da Liga conquistadas, apesar de terem enriquecido o historial do clube, é consensual que a sua importância é bastante diferente de um campeonato ou de uma Taça.

Muita gente fala da inteligência emocional, mas muito poucos sabem do que se trata. Jorge Jesus é um deles. Não pode evocar uma coisa quando na mesma semana executa precisamente o contrário. Não pode falar na inteligência emocional quando depois está no banco e faz tudo ao contrário do que supostamente deveria fazer neste campo. Um dos últimos exemplos tem a ver com as declarações antes do jogo com o Estoril, quando afirmou que não haveria lugar a rotações de equipa. Isto é o primeiro passo para dividir um grupo com 25 egos. Durante o ano, quando precisou, usou. Na altura em que devia mostrar a chamada inteligência emocional, falhou e isso tem acontecido ao longo dos anos, levando ao próximo ponto em questão.

O relacionamento com os jogadores teve o seu epílogo no jogo da final da Taça de Portugal, quando Cardozo exprimiu o seu descontentamento empurrando Jorge Jesus. Foi a gota de água em épocas e épocas onde a personalidade de Jorge Jesus fez com que vários jogadores se fossem fartando do próprio. Ruben Amorim foi um exemplo. Saviola outro. Aimar outro. Carlos Martins, de titular nesta última pré-época passou rapidamente para o banco logo na primeira jornada. Nolito, um dos melhores da época passada, diz que não volta ao Benfica enquanto Jesus for o treinador. Esta quantidade de casos mostra que Jesus não é de todo consensual, entre o grupo de jogadores. É acusado de favorecer grupos de jogadores dentro do plantel e isso, é um contra no treinador e no relacionamento com os jogadores.

O vencimento auferido / objectivos é um dos maiores contras que Jorge Jesus tem dentro do Benfica. Se um trabalhador ou funcionário numa empresa tem objectivos a cumprir e não os atinge, existem duas alternativas: ou sai ou é reavaliado, seja numa nova função ou seja com a redução do ordenado. Com esta renovação e com a manutenção do mesmo vencimento, Jorge Jesus continua a ser um dos treinadores mais bem pagos do Mundo, quando tem para mostrar 25% de aproveitamento do principal objectivo, 0% do segundo objectivo e 75% do terceiro objectivo nacional. O objectivo europeu depende da variação inerente às participações nas diferentes competições, mas o principal problema passa pela inépcia vencimento / obejctivos.

O mau planeamento tem sido uma constante nestes anos de Jorge Jesus no Benfica. Desde a saída de Coentrão (inventado no primeiro ano e vendido no segundo), que o Benfica não tem uma verdadeira alternativa a lateral esquerdo sem inventar os Emerson's ou Melgarejo's desta vida. Do outro lado da defesa, nem uma alternativa digna a Maxi Pereira foi possível arranjar, sem se recorrer a "adaptações". Nunca houve uma verdadeira alternativa de qualidade a Luisão ou David Luiz / Garay sem ser Jardel, contratado por "desenrasque" ao Olhanense. Os erros de construção do plantel foram muitos ao longo dos anos levando a que o Benfica, no seu último relatório e contas da SAD (sem contar com os últimos sérvios) tivesse no seu quadro de atletas cerca de 87 jogadores. Contando com os jogadores da equipa A, da equipa B, dos juniores e dos juvenis com contrato assinado dá para fazer 3 plantéis de 29 jogadores cada. E no entanto, ano após ano, falta ao Benfica dois laterais, um central e um médio-centro para fazer face às necessidades que o clube tem durante o ano. Se isto não é um mau planeamento, não sei o que será...

Amanhã, analiso o que deveria ser feito na questão Jorge Jesus...

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