segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Taça enquanto reflexo de um plantel

Custa-me sempre sair da Taça. Gosto da competição, gosto de ir ao Jamor e gostava de festejar uma dobradinha...

O Benfica já não vai conquistar a 25ª Taça na 72ª edição da competição, pelo que se pode dizer com exactidão que o Benfica vence uma de cada 3 edições desta Taça. No entanto, o Benfica não visita o Jamor há 7 anos... Não conquista o troféu há 8... E nos últimos 24 anos (já incluindo esta temporada), ou seja, no último terço da história da competição, visitou o Jamor em 5 escassas ocasiões... Isto tudo para dizer que o resultado me deixou muito, mas mesmo muito fodido...

No dia seguinte, como seria de esperar, não faltou quem culpasse JJ. Tudo porque o homem este ano decidiu fazer o contrário daquilo que no ano passado lhe criticávamos: rodar o plantel.

Parece-me injusto que se critique o 11 de sexta-feira. A Eduardo não ouvi críticas, pelo que a ausência de Artur não terá escandalizado ninguém. O problema estaria em Nolito? O espanhol tem, mais segundo, menos segundo, o mesmo tempo de utilização de Bruno César. Já Matic tem jogado menos que Javi, mas no Funchal foi titular pela 7ª vez esta temporada (4 vezes na Liga, 1 na Champion's). Ruben Amorim a lateral direito não é uma novidade e sobre Saviola vinha ouvindo nos últimos tempos que era preciso voltar a colocar o "mais inteligente jogador do plantel" em campo.

O Benfica não perdeu porque JJ tenha menorizado o adversário. Não engulo essa patranha porque o 11 apresentado era um 11 para ganhar. Um 11 de jogadores capazes e potenciais titulares na cabeça de JJ. O que faltou foi que os jogadores encarassem a segunda parte com verdadeiro profissionalismo. E entre aquele apito que recomeçou a partida e a entrada de Aimar viu-se uma equipa amorfa e convencida que a eliminatória estava despachada.

JJ não tem culpa? Na minha opinião tem, mas nunca pelo 11 que seleccionou. É preciso recuar mais. JJ tem culpa porque fez uma planificação errada do plantel do Benfica. Existe muita qualidade, mas mal distribuída. Witsel, Matic e Nolito jogam demasiado recuados em função das suas características e do futebol que sempre desenvolveram. Aimar recebe a bola demasiado à frente, Bruno César está completamente fora do seu habitat, Ruben Amorim já quase não sabe o que é. E tudo se agrava por Maxi, Javi e Aimar não terem substitutos naturais (no caso do argentino por culpa do treinador que desvia jogadores para as alas). E é por isso que o Benfica desta época, salvas raras excepções, parece dar sempre menos do que aquilo que promete.

O que me deixa tranquilo nisto tudo é que o Benfica, com algumas limitações auto-impostas, já passou obstáculos difíceis. E a verdade é que só pode melhorar.

1 comentário:

GM disse...

Uma análise muito, muito boa.
Só nao concordo com a parte da "falta de profissionalismo" dos jogadores. Nao vi nada disso. Antes porém, um outro aspeto, porventura o mais importante na preparação duma partida: mentalidade/concentração competitiva. E foi por isto que nos últimos 15 minutos do jogo desperdiçámos 6 oportunidades de golo flagrantes.