sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dissecando a entrevista - Ideias para o Benfica (II)

Hoje, analisamos na entrevista ao Presidente do Benfica, a questão receitas.

"Há uma quebra na bilhética que mostra as dificuldades que as pessoas estão a passar, sem esquecer o aumento do IVA, que vamos assumir."


"Ainda é possível, apesar do cenário económico que se vive, melhorar o actual nível de receitas?
- Possível é, mas é evidente que não será fácil. Mas se pensarmos, por exemplo que ainda falta vender o naming do Estádio, essa é uma primeira excepção, que pode representar uma melhoria de receitas. Depois existem duas outras componentes que são os direitos televisivos, e, ainda, a componente de venda de jogadores. No estado actual em que o Benfica está, que ainda não pode trabalhar verdadeiramente a componente dos direitos televisivos, terá que olhar para a valorização dos seus activos. Toda a gente reconhece que os activos, os jogadores, valem muitíssimo mais do que valiam há um ano atrás. Sentimo-nos bastante confortáveis, na estabilidade do nosso balanço, nessa perspectiva de valorização de activos para encarar o futuro."

"Falou no naming do estádio, o processo está a mexer?
- É talvez o projecto ou patrocínio mais difícil do ponto de vista de venda. Primeiro, porque é um valor elevado, embora não seja mais caro do que as camisolas. Depois, porque é um projecto que tem de ser muito trabalhado. Enquanto o patrocinador das camisolas tem uma visibilidade diária, essencialmente a nível local, o patrocinador do estádio garante uma notoriedade, que ultrapassa as nossas fronteiras. É portanto, algo que tem de ser trabalhado de uma forma completamente diferente. Acredito que no curto/médio prazo vai ser possível fechar esse patrocínio, o que nos vai permitir aumentar significativamente o nosso nível de receitas."

Existem nos clubes actuais, três principais fontes de receitas: bilhética, merchandising e direitos televisivos.

No caso da bilhética, o Benfica encontrou no nome Red Pass um termo bonito para chamar ao vulgar cativo. Acrescentou-lhe algumas medidas importantes, como o lugar poder ser utilizado por outra pessoa que não o portador do bilhete. De certa forma, é uma receita que se considera anual, salvo alguns imprevistos, como a época correr muito bem ou o preço diminuir ao longo da mesma, possibilitando assim mais algumas compras de lugar de última hora, mas na generalidade, os valores dos Red Pass são contabilizados anualmente. Por isso, estão sempre entre 25000 a 30000 lugares garantidos em todos os jogos. 
O que falta para encher os restantes 30000 durante todos os jogos?
Talvez colocar alguns jogos a preços mais amigáveis. O assunto já foi aqui discutido, relativo ao preço dos bilhetes para o próximo jogo da Champions League, em que, tendo em conta o panorama social e económico do país, vai ser difícil a Luz encher contra um adversário que não é nenhum dos "tubarões" europeus, como é o caso do Zenit.  
É mais fácil encher o estádio com preços dos bilhetes a 10 / 15 euros para os sócios, do que a 20 / 25. O apoio será maior e isso sente-se no relvado e no próprio estádio.
Outra ideia será dar aos portadores de Red Pass, que ao fim de 7 jogos no campeonato (metade do mesmo) tenham ido a todos os jogos, a possibilidade de convidar um amigo ou sócio para o jogo seguinte. É mais uma probabilidade de angariação ou de sócios ou de portadores de Red Pass para os próximos 7 jogos do campeonato.
E outra ideia ainda, usando a rede de parceiros do Kit Sócio. Ao fim de um determinado valor em compras ou bens, um bilhete para um jogo.
As condições sócio-económicas do país dão para fazer acções destas. Ganha o Benfica, seja em apoio, seja em dinheiro.

Em termos de merchandising, a questão dos namings trará algum retorno, mas não acredito que seja assim tanto. Na resposta mais acima do Presidente relativamente ao naming do estádio não percebi a lógica de modelo. Ele considera que o naming do estádio teria um valor mais baixo do que o das camisolas e depois explicou com a lógica invertida (mercado local = camisolas; mercado internacional = estádio). A lógica é mesmo mais invertida, porque ao se fechar um naming de um estádio, perde-se o valor associado ao mesmo. É diferente chamar-se Estádio da Luz ou Estádio do Sport Lisboa e Benfica do que Estádio Optimus ou Estádio PT ou Estádio EDP. Esse valor tem de ser muito melhor negociado do que um simples patrocínio de camisolas. A visibilidade é a mesma, mas a notoriedade é maior. Se a notoriedade é maior, o valor tem de ser maior e não o contrário.
Outra ideia para o merchandising do Benfica e para a sua implementação é a envolvência dos sócios nos seus produtos. Perguntarem aos sócios o que gostavam de ter, de usar, de vestir com a marca Benfica. Os pedidos para a camisola de manga comprida são muitos. Porque é que o Benfica não faz a força necessária com a Adidas para se vender camisolas de manga comprida? Ou porque é que não se colocam à venda equipamentos de todas as modalidades na loja do Benfica?
Ainda em termos de merchandising, a minha opinião sobre contratos longos (com a Sagres, PT e outros) têm um ponto negativo, ao menos que isso seja negociado. Ou seja, um contrato com variações de receita, tendo em conta as performances desportivas do clube, nas diversas modalidades. Porque ter contratos de longa duração, como por exemplo o da Olivedesportos (mais de 10 anos) faz com que ao longo do tempo, a actualização dos valores se arraste e o clube perca valor.

Quanto aos direitos televisivos, Portugal não tem o poder económico e financeiro, para além da sua dimensão demográfica para se fecharem negócios de direitos televisivos como em outros países da Europa. Mas nós estamos a falar no Benfica e na Benfica TV, que chega aos EUA, a África, ao Brasil e ao resto da Europa. Estamos a falar de um nicho de mercado que deve ser explorado e potenciado. Se para isso, se tenha de perder um ano de experiência, usando o conceito pay-per-view. Explico muito rápido. Valor nominal por jogo, com a atribuição de um código próprio para cada box da Meo que tenha a Benfica TV. Os valores de produção de um jogo em termos de transmissão não ultrapassa os 50 mil euros. 50 mil euros facilmente recuperáveis, no meu entender, ainda para mais sendo jogos do Benfica.
Por tudo aquilo que representa no futebol português e pelo que já fez à instituição Benfica (directa e indirectamente), a Olivesdesportos era uma empresa, que para mim, não entrava sequer no processo de auscultação para a renovação dos direitos televisivos. E se ficarmos um ano sem ter um "provedor" de serviço, paciência. Conseguimos viver com isso, como explica o próprio Presidente ("Os nossos adversários já renegociaram os seus direitos televisivos, e desde essa altura que recebem significativamente mais do que nós recebemos e isso não nos afectou").

6 comentários:

Gandaia disse...

Creio que o valor do patrocínio das camisolas ser mais elevado que o naming do estádio é porque as camisolas estão sempre a aparecer, seja em jogos em directo, resumos dos jogos, notícias do Benfica, capas de jornais, notícias de jornais.

Basicamente a marca que está na camisola faz capas de jornais praticamente todos os dias e aparece na televisão praticamente todos os dias em horário nobre (telejornais) e durante os jogos estão a aparecer durante hora e meia.

A exposição é muito maior.

O naming do estádio não vai ter tanta exposição. É apenas referido nos boletins de jogo e pouco mais.

Pedro disse...

Faz-me imensa confusão que o SLB não ponha os seus jogos na Benfica TV...mesmo com um valor simbólico as receitas seriam excelentes e teríamos sempre a vertente de não darmos dinheiro ao sistema.

Pegando na ideia do pay-per-view a 5€ por jogo. Temos mais de 200 mil sócios, temos milhões de adeptos, a Meo atingiu 1 milhão de assinantes. Será assim tão dificil conseguir 200.000 clientes para o PPV? Daria 1 milhão de euros por jogo. 15 milhões por época. Com toda a receita de publicidade a reverter para o SLB igualmente. E mais as receitas na difusão do jogo e imagens para outros canais.

E estamos a falar de apenas 200.000.... não percebo pq não avançamos por aqui.

L. disse...

o benfica mesmo com o mercado em quebra consegue muito mais que 15 milhoes se vender os direitos...

quanto a dissecçao, no geral concordo.

L. disse...

o benfica mesmo com o mercado em quebra consegue muito mais que 15 milhoes se vender os direitos...

quanto a dissecçao, no geral concordo.

L. disse...

o benfica mesmo com o mercado em quebra consegue muito mais que 15 milhoes se vender os direitos...

quanto a dissecçao, no geral concordo.

L. disse...

o benfica mesmo com o mercado em quebra consegue muito mais que 15 milhoes se vender os direitos...

quanto a dissecçao, no geral concordo.