sexta-feira, 19 de março de 2010

Mentalitá

Ficou célebre o apelo de Trappa no ano do nosso último título. A coisa era simples: os jogadores tinham que estar conscientes das suas limitações, tal como nós, adeptos, teríamos que estar conscientes das limitações do nosso plantel. Cada ponto seria valioso. Evitar as derrotas, em vez de procurar vitórias impossíveis, seria essencial. Trabalhar, e muito, seria imprescindível. Hoje a mentalitá atinge outro patamar, fruto da inegável categoria do nosso plantel. Mas existe desde o primeiro dia. A exigência do trabalho e o espírito colectivo continuam lá, mas é o apelo à transcendência que marcam a diferença para a era italiana.

Há uma semana era um adepto de alguma forma desiludido. Não tenho problemas em assumir o que por norma critico aos demais benfiquistas: deitei a toalha ao chão.O Benfica preparava-se para enfrentar um ambiente hostil, dos piores da Europa, e eu não acreditava numa vitória. Gregos e turcos criam ambientes infernais nos seus recintos, mas, na minha opinião, é em Anfield Road, em Parkhead e no Vélodrome que mais se sente o empurrão dos adeptos às suas equipas. Nos últimos anos superámos o primeiro, mas lá chegando com vantagem na eliminatória, sucumbimos por duas vezes no segundo. Vélodrome, pela tão falada main du diable, assustava. A verdade é que a equipa nunca acusou o ambiente. Confiantes, concentrados, motivados, os nossos guerreiros transcenderam-se e demonstraram uma superioridade absoluta que nem um árbitro ao nível dos Jorges de Sousa desta terra foi capaz de desestabilizar. E assim o Benfica chega aos quartos, atinge a meta dos 100 golos oficiais e sai por cima, pela primeira vez nesta época e pela primeira vez em sei lá quanto tempo, num jogo em que o adversário marcou primeiro.

E a mentalitá desta equipa é tão forte que não será a ausência de um par de titulares que nos irá custar a Taça da Liga. Podemos, e iremos, conquistá-la independentemente do 11 que subir ao relvado. (mesmo jogando o Luis Filipe!!!) Tenha-se em atenção o que o Porto possa querer tirar deste jogo para lá do resultado.

E agora faço de conta que sou jogador e lanço-me em dedicatórias:
. dedico a vitória ao Inespugnabile que, aposto, hoje deu alguns 100 passos em frente na sua recuperação
. dedico a vitória ao Manini por ajudar a trazer ao mundo mais um Benfiquista
. dedico a vitória ao Mister por ter mostrado que queria ganhar o jogo nos 90 minutos (Rumo ao Mónaco Mister!!!)
. dedico a vitória ao Maxi por nos dois jogos ter marcado dois golos em duas demonstrações de crença e vontade
. dedico a vitória a todos os Benfiquistas que tiveram tomates para enfrentar uma cidade já de si difícil e para nós ainda pior

ps- Goste-se ou não do homem, gostei do sorriso e do brilho nos olhos de Quique Flores quando se falou do Benfica. Quem por aqui passa não fica indiferente ao Clube.

2 comentários:

JNF disse...

Excelente post.

Luís Santos disse...

e uma dedicatória a ti por veres rápido que atirar a toalha ao chão não serve para nada