segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Uma questão de coluna

Sou hoje surpreendido pelas declarações de João Gobern, ontem, naquela espécie de programa televisivo que a RTP informação passou das terças para os domingos, onde se discute futebol. Melhor, não se discute futebol. Discute-se se a bola entrou ou não, se o árbitro errou ou não, só faltando uns cinzeiros na mesa e os copos regados com whisky (como o Rui Oliveira e Costa tanto gosta), para aquilo ser uma amena cavaqueira num qualquer bar, em qualquer lugar do país. O problema é que este tipo de reunião é paga com o dinheiro dos nossos impostos.

E o que disse João Gobern, que ainda teve tempo para poder ser gozado por dois mentecaptos de outros clubes? O mesmo que alguns Manuéis e outros quejandos andaram a dizer depois de quinta-feira, tecendo loas ao Rei Sol Vieira e que, no dia das eleições, é que se vai ver como é. Ou seja, sopraram-lhe ao ouvido aquilo que ele tinha que dizer, como sopram ao ouvido daqueles que agora veneram Vieira e depois venerarão outro imbecil qualquer que por lá pulule e lhes prometa mundos e fundos como o que cá está actualmente.

Soube, na própria quinta-feira, que João Gobern, a par de outros jornalistas famosos da nossa praça benfiquistas, se reúnem mensalmente com o Presidente do Benfica, seguindo uma prática que também ocorre noutros clubes, seja ao nosso lado ou seja mais acima. E no que é que consistem essas reuniões? Saber como passar a mensagem de certa forma. Nessas mesmas reuniões, ainda há quem pense pela sua cabeça e coloque Luís Filipe Vieira no seu lugar, não aceitando aquilo que não lhe parece bom para o Benfica. Temos pena, mas ainda há gajos sérios...

Pois bem, o sr. Gobern, que até tinha alguma estima na maneira em que defendia o nosso clube, e que foi, afastado da forma mais filha da puta que conheço de um programa de televisão, optou por deixar de pensar pela sua cabeça e preferiu dar ouvidos a algo que lhe disseram e que assumiu como se fossem verdades irrefutáveis. 

Para além de eu achar mal uma pessoa não ser sócia do Benfica e opinar sobre Assembleias Gerais do clube, e ainda por cima julgar outros que sejam benfiquistas ou deixem de o ser, então aí, a credibilidade dessa pessoa vem por aí abaixo, que é uma beleza. Gobern optou por falar na Assembleia Geral, mas não quis falar sobre o passivo, falou sobre sócios no mesmo dia se inscreverem para ir à AG, como se isso fosse possível, ainda teve o desplante de dizer que não é instrumentalizado e não é informado das coisas que se passam no Benfica, falou ainda em populismo de outros tempos e dívida de gratidão para com Luís Filipe Vieira, e ainda quer ser levado a sério?

Gobern mostrou que afinal pertence ao grupo que por um bilhete, ou por informação privilegiada (ou não fosse jornalista), até é capaz de dar um dentinho para a causa. Mostrou aquilo que não pode ser. E mostrou que a honra que adquiriu nestes últimos tempos, à custa da liberdade de expressão que tanto apregoou se esfumou nas palavras que dissertou ontem.

Por mim, está mais do que apresentado...

3 comentários:

71460_5/8 disse...

Todos os que defendem o LFV nunca têm direito a sua opinião... Isto é que é democracia! Ou não!

Mister D disse...

Meu caro 71460_5/8,
É como todos aqueles que não defendem LFV... É tudo uma questão de democracia.

Mas que eu saiba, nunca ninguém te cortou a palavra, pois não?

Astutillo Malgioglio disse...

Uma coisa é defender Vieira, outra é sentar-se diante de uma câmera de televisão a debitar mentiras. Foi o que este senhor fez, com a maior cara de pau e ao melhor estilo de Pedro Guerra.

Mas fica outra questão: devemos defender Vieira ou devemos defender o Benfica?