terça-feira, 15 de junho de 2010

Chitos

O quadro competitivo da segunda divisão só serve para uma coisa: estratificar a subida às Ligas Profissionais, impedindo a progressão das equipas do Sul do Tejo.
Se por um lado estas equipas se defrontam com as da Madeira, por outro confrontam-se com as de Lisboa.
Esta situação é aberrante, gera desigualdades incríveis e a breve trecho matará qualquer ambição de termos futebol a Sul do país.
É evidente que escrever este texto quando o Algarve se apresenta a competição com duas equipas, pode parecer bizarro. Mas não é. Bem pelo contrário, o Olhanense e o Portimonense, para voltarem ao convívio dos grandes, precisaram de água benta...
O Sul do país precisa - deve! - fazer qualquer coisa com urgência.

9 comentários:

Constantino disse...

Sou do Algarve e apesar de ja ter estado mais dentro do futebol local, tenho uma ideia do que aquis e passa. O futebol nunca foi aposta forte da região e vai sobrevivendo quase miraculosamente. Este ano chegou ao ponto da Associação de Futebol do ALgarve ter tido a àgua e luz cortadas na sede. Mesmo assim o cumulo foi há uns anos em que uma assembleia da AFA foi marcada para o....brasil. Quanto aos clubes vivem todos com a corda na garganta, às custas de subsidios camararios e pouco mais. É frequente perderem-se pontos no final de epoca propositadamente para evitar subidas de divisão que implicam custos adicionais e mais frequente é clubes que sobem à 2ª Divisão aguentarem-se lá 2/3 anos e depois descerem até aos distritais em 2 anos. Contudo e apesar dos problemas inumerados atras, o grande óbice ao desenvolvimento dos clubes algarvios é o afastamento das gentes da terra dos mesmos clubes. No Algarve não há uma ligaçao ao clube da terra como ha no norte. Mesmo nos jogos de distritais não há aquele ambiente de "distrital" tão caracteristico do futebol do centro e norte do pais.

Passaralho disse...

Bull shit.

Assim mesmo, bull shit.
E mentira.

É verdade que em tempos houveram interesses para enfraquecer o poder de algumas nas associações. Quando a FPF é que geria todo o futebol.

Hoje em dia não é nada disso. O que acontece é que tirando o Benfica, não há a sul nenhum clube com capacidade para sobreviver a médio prazo. Nenhum! Sim, osgas. Nenhum mesmo!

Não há produção, não dinheiro, está tudo liso. Ninguém quer enterrar dinheiro no futebol. Por isso se nota a diferença.

Ainda há dois anos, quando a Oliveirense subiu à Liga de Honra, jogou com 6!!! (seis, SEIS!) equipas da Madeira na mesma série. e 4!!! (Quatro!!!!) na série de subida. Quase 10 deslocações à Madeira.
As equipas do sul, jogaram umas com as outras, jogaram pau com os ursos, e não subiu nenhuma na mesma.

Por tudo isto, é mentira o que dizes. Informa-te a ver.

Cumprimentos,
Benfica Sempre!

VeRMeLHoVZKy disse...

Apesar de Algarve e Alentejo representarem quase 40% da área do país, representam só cerca de 11% da população que contribuem menos de 9,5% para o PIB do país.

É normal que isso se veja no futebol. O que é ridículo é a Madeira e a forma como dinheiros públicos financiam o futebol.

inespugnabile disse...

Ó passaralho, começo por, com todo o gosto, te mandar para o caralho!

Era o que vocês, meus grandes filhos da puta, lá de cima queriam: ter os clubes da Madeira sempre na série Sul! E quando, durante quatro míseras épocas, foram divididos, começaram as dificuldades! Conclusão, metem-se outra vez na Sul e mete-se o vencedor da Sul a jogar com os vncedores da centro e da norte. Tudo bem, desde que o clubes de Lisboa entrem na ... centro!

S os clubes de Lisboa estão na série Sul, é evidente que a série Sul representa 65 % do PIB nacional!

Passaralho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Passaralho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Passaralho disse...

Como acredito que tens acesso aos comentários, mesmo depois de apagados aqui, apaguei.
O blog, os teus colegas e o os leitores não merecem aturar os outros por culpa tua.

nunomaf disse...

Vermelhovzki

Infelizmente o que dizes é a mais pura das verdades. O alentejo (terra linda do meu coração), está realmente a perder população ergo contribui menos para o PIB...

Mas também é verdade que é a Norte que se tem vindo a verificar o maior número de ocorrências de falências e buracos financeiros, derivado do facto de existirem também muito mais empresas.

Isto para dizer que o problema desportivo não terá só a ver com PIB's ou conjecturas financeiras do país.

No meu caso, e referindo-me apenas à realidade que me é mais próxima, existem ainda dois clubes na cidade de Évora com história e força suficientes para por exemplo participarem numa Liga de Honra.

Ambos sofrem de um problema de desmobilização dos seus associados mas com origens e resultados bem diferentes.

No caso do Lusitano de Évora (um histórico do nosso futebol) a megalomania e incúria dos seus ex-dirigentes associada à deslocalização do clube para fora do centro da cidade, levou ao gradual desinteresse da população no clube. O envelhecimento e redução da massa adepta em conjunto com os péssimos resultados desportivos dos últimos anos levaram à grave crise financeira que o clube atravessa, tornando-o quase inviável e aparentemente ingovernável.

No caso do Juventude (do qual sou um fervoroso adepto) e apesar dos bons resultados desportivos desta última época em que o clube foi campeão da série F da 3.ª divisão e assegurou a subida à 2.B, o problema prende-se com o gradual desinteresse das pessoas da cidade e dos sócios no clube, ao ponto de não haver uma solução que permita obter uma alternativa credível ao actual presidente do clube, que com assinalável espírito de missão tem mantido o clube vivo (apesar da sua já avançada idade), quando poderia perfeitamente estar descansadinho na sua casa sem preocupações de maior.

Há falta de espírito de sacrifício nas pessoas. E já são poucos aqueles que assumem cargos de dirigentes desportivos sem segundas intenções, como o caso do Lusitano tão tristemente o exemplifica.

Por isso o problema está na mudança de mentalidades da malta mais nova e no desaparecimento dos carolas de antigamente que faziam mover os clubes por puro espírito de devota missão.

Hoje em dia, é difícil encontrar numa destes campos de futebol do Alentejo uma família inteira a ver a bola. Existe também um fenómeno de deslocalização demográfica em que as pessoas preferem apoiar a colectividade do bairro onde moram em vez de apoiar os clubes tradicionalmente "grandes". Em Évora pelo menos é o que sinto estar a acontecer.

Felizmente o Glorioso é um caso à parte. Seja em Évora ou na Malveira, ou nos Barbados ou no raio que o parta pois não tem problemas demográficos, não tem problemas de militância, não tem problemas de apoio e, felizmente, parece hoje em dia também já não ter problemas financeiros.

O Benfica não tem fronteiras, não tem espartilhos. Vive virado para fora país, apoiado por dentro do país.

Quando os clubes mais pequenos, ou da região Sul se quiserem, conseguirem libertar-se dos espartilhos do antigamente, então talvez possam realmente evoluir e desenvolverem-se. Até lá continuaremos a ser o que somos hoje. Uma imensa planície de clubismos dispersos.

Rosmano disse...

Os clubes da regiao Sul estao de rastos mas o problema nao e so o Algarve e o Alentejo.

Onde esta o Torreense, o Oriental, o Atletico, o Barreirense?
Onde estao os clubes de Lisboa e das zonas limitrofes de Lisboa? Faltam esses clubes aparecer. Faltam clubes da regiao Centro Sul e isto para mim e um desleixo nao so do Benfica mas tambem do Sporting nao apoiarem e defenderem os clubes mais pequenos das suas grandes zonas de influencia.