segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Guerras de Alecrim e Manjerona

"O enredo inicia-se com o desejo de conquista de Gilvaz, um peralta, que quer ser amado por Clóris, uma donzela rica, e com os diversos estratagemas que o seu criado, Semicúpio, arranja para infiltrar o amo em casa da donzela. Caso o enamorado não conseguisse alcançar o seu objectivo, Semicúpio ficaria sem os ordenados atrasados. Entretanto Nise, a irmã de Clóris, aceita a corte de Fuas que, tal como Gilvaz, não tem dinheiro e acaba também por beneficiar da ajuda do criado deste e de uma criada das raparigas, Fagundes. O principal obstáculo desta trama amorosa é D. Lançarote, o pai das donzelas, que, além de avarento, pretende casar uma das filhas com Tibúrcio, um sobrinho seu. Para complicar um pouco a situação, os peraltas têm ciúmes um do outro por se julgarem rivais e Semicúpio apaixona-se por Sevadilha, outra criada da casa por quem Tibúrcio igualmente suspira.", Sinopse de Guerras de Alecrim e Manjerona, de António José da Silva, no ano de 1737, em Lisboa. Informação: Infopédia

Confuso? Um pouco! Mas é assim que uma pessoa se sente quando após um fim-de-semana de evidências mais do que previamente avisadas, olha para os diferentes meios de comunicação e só vê e lê guerras, murros e afins.
Uns por retaliação, outros por omissão, outros ainda por extorsão. Tudo serve para desculpabilizar quem, no seu devido tempo (com a agenda bem preenchida) conseguiu apoiar uma candidatura à Presidência da Liga de Clubes de um ex-Vice-Presidente do FC Porto, curiosamente o clube que comprovadamente (e mais do que uma vez) subornou árbitros com o intuito de vencer jogos de futebol.
As almas mais caridosas e certamente influenciadas por algo tão celestial dizem que se o Benfica não apoiasse, Fernando Gomes ganharia na mesma. É uma verdade, mas ao menos, o Benfica não teria agora de ser (uma vez mais) gozado em praça pública, originando discursos bem mais habituados a quem está do outro lado da Segunda Circular.
Se o Benfica não apoiasse Fernando Gomes (como fez o FC Porto, que se absteve) teria agora toda a legitimidade para colocar em causa o sistema que rege a principal competição do futebol português. Ao apoiar as diferentes listas (Direcção, Assembleia-Geral, Arbitragem e Disciplina), caiu no pressuposto de que estava de acordo com as ideias e com os fundamentos das mesmas.
Vir, pouco tempo depois chorar sobre o leite derramado não é uma boa opção, nem é certamente, a mais coerente.
Já há muito tempo que o inimigo está identificado. Já o ano passado o tentou fazer, escamoteando factos que colocaram em causa as vitórias do nosso clube, que tão brilhante futebol apresentou e com isso calava os críticos mais cáusticos. Desde túneis a provocações, bolas de golfe, tintas azuis, jornalistas avençados, agentes da autoridade submissos, juízes jubilados corrompidos, de tudo o inimigo fez e continua a fazer para impor a sua ordem do medo, da confrontação e do ódio visceral que um energúmeno quis fazer, usando uma analogia com a Ponte da Arrábida, numa altura em que o Porto já tinha mais pontes sobre o Douro, do que Lisboa tinha sobre o Tejo.

O inimigo sabe que ganhando da forma suja que o faz se consegue manter à tona da água. Minou os meandros, controlou-os e com isso, subjuga até conseguir o que quer. Não é uma tarefa fácil eliminar todos esses vícios, mas também não é impossível. E o Benfica tem poder para isso.

Um dos primeiros passos poderia ter passado por se ter evitado aquela reunião de Abril no Altis, em que o apoio foi assumido, juntamente com os submissos de Lisboa. Seria a prova provada de que, ao mínimo deslize, o Benfica poderia cair em cima do que quer que fosse assim que fosse prejudicado. Agora assim, não pode.

E o que devemos fazer agora então? Pede-se acção, resposta à altura. Mas uma resposta à altura fazia o Benfica (grande nos princípios, gigantesco na democracia alcançada ao longo dos anos) cair num esgoto com ingredientes nada recomendáveis para um clube com carisma e importância demais para se sujeitar aos modos de um clube regional que se associa ao medo para impor a sua ordem.

O Benfica tem de ser superior é lá dentro, no campo. Lutar com o espírito que lutou o ano passado e que o fez passar por várias tormentas, rumo ao destino final. Porque a qualidade era tanta, que mesmo que quisessem prejudicar não conseguiam. E depois, é quando ganha que tem de dizer onde foi prejudicado, mesmo ganhando, porque assim demonstra a sua força, o seu poder.

O trabalho sujo (como o próprio nome indica) é para ser feito pelos sujos. O trabalho bonito é pelos 11 que entram todos os jogos em campo, carregando uma espiral de esperança, alegria, trabalho, querer e honra de mostrar o nome do Benfica em Portugal e no Mundo. E esta época, independentemente de tudo, isso ainda não aconteceu...

2 comentários:

L. disse...

por um lado, se nao apoiassemos caiamos em cima... de que e de quem? nao poderiamos fazer mais que falar. nada.

quanto ao que os 11 ainda nao fizeram em campo, lamento:

contra academica fizemos uma ma primeira parte e uma boa segunda, e se nao fossem os erros do arbitro tinhamos ganho.

contra o nacional fizemos uma brilhante primeira parte, e sem o penalty escamoteado teriamos no minimo empatado.

contra o guimaraes jogamos muito mais que o guimaraes, excepto ate aos 20 minutos. e o arbitro transformou uma vitoria numa derrota.

embora os erros da direccao nao sejam para branquear, estes factos tambem nao o podem ser.

a equipa ate tem produzido bastante futebol. quanto ao porto, so ganhou em vila do conde por ser ajudado e na figueira tambem pouco jogou. dentro do campo e em jogo jogado, se merecemos estar a 2 pontos deles é muito.

Cosimo Damiano disse...

Caríssimo Amigo,

Bem sabes que estimo muito a tua opinião mas permite-me que contraponha.

Caso ainda não te tenhas apercebido vivemos numa Guerra há 30 anos.
E, tirando Ghandi, não me lembro de ninguém que tenha vencido uma guerra sem lutar no campo de batalha.

Que o Benfica é superior em tudo aquela gentalha é um facto intocável.
A questão que se coloca é até quando vai o Benfica permitir ser a chacota dessa gente.

Se o estado não faz nada, se a FIFA não faz nada, teremos de ser nós a tomar de assalto aquilo que é nosso por DIREITO!!!

Já dizia Bella Guttmann há 50 anos: "É Guerra Santa"!!!
Ontem como hoje teremos de saber jogar NO CAMPO QUE FOR NECESSÁRIO de forma a defender o Sport Lisboa e Benfica.

Resta só saber se o Presidente do Benfica o quer fazer.
Se não o quiser que dê lugar a outro que não tenha medo!!!