quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os Actos da História (III)

III - Do início da época ao final de Agosto


Com as exibições de Roberto, começaram as primeiras interrogações sobre o real valor do espanhol. As exibições não eram de espantar (bem pelo contrário) e a defesa continuava a tremelicar. Luís Filipe continuava no plantel, mas a opção lógica de substituir Maxi Pereira era Ruben Amorim, médio de origem. Faltava uma alternativa a Maxi e continuou a faltar. No lado esquerdo, Peixoto não convencia porque Coentrão continua a jogar a mil à hora e a desenvolver-se cada vez. No centro, a chegada tardia de Luisão pareceu não dar a Sidnei o espaço que ele próprio deveria aproveitar. E os dinheiros que foram apresentados a David Luiz faziam-no balançar entre a Luz e outras paragens. E foi com algum desse desespero, precisamente na semana em que se vende Ramires ao Chelsea por valores abaixo da cláusula de rescisão que o Benfica perde com o FC Porto para a Supertaça. Era uma oportunidade única de se enfraquecer o principal adversário, que este ano se reforçou em lugares nucleares a que estava habituado há uns anos atrás. O Benfica não só perdeu, como começaram a surgir as primeiras críticas sobre a gestão de jogadores e planificação da época, bem como pela ausência de soluções para colmatar a saída de dois dos mais importantes jogadores da equipa da época passada.


O Benfica continuava a negociar em Espanha e chega Rodrigo, das escolas do Real Madrid. É apresentado sem a garantia de ficar no plantel e logo aí começam as perguntas legítimas de saber porque se foi buscar um jogador de 19 anos para emprestar, quando na formação também existem valores tão bons ou melhores que os espanhóis.


Perdemos com a Académica na primeira jornada em casa, por culpa própria e por alguma da arbitragem. O silêncio mantém-se, adoptando postura igual nos anos de Quique e Jesus. Madrid continua a ser amiga da Luz e do Atlético de Madrid chega Eduardo Salvio por 2 Milhões de Euros por 20% do passe. Os negócios transversais do Presidente misturam-se com os do Benfica e começa a ser notório que essa influência mexe com aspectos desportivos que podem trazer algum prejuízo. Wesley, Elias e Maylson são falados para substituir Ramires (pedidos efectuados pelo treinador), mas o resultado final vem de Madrid, uma vez mais.


O que se passou nesta semana e no final do período de transferências foi a tentativa mordaz de se tentar queimar uma imagem de um subalterno, em detrimento do líder e Rui Costa foi o que calhou na rifa. Com a notícia da sua ida a Barcelona e consequente falha na aquisição de Hleb, quis passar-se uma imagem para o exterior de que o ex-nº 10 afinal ainda não é competente o suficiente para conseguir fazer negócios no Benfica. Pura ilusão! Rui Costa conseguiu trazer jogadores do calibre de Aimar, Saviola, Carlos Martins, Sidnei e Javi Garcia, mas também trouxe barretes, como todos trazem em todos os clubes. A pergunta que se faz e que deixo em aberto é porque é que Rui Costa não bate com a porta, ainda para mais evocando os motivos da sua saída? Será pelos negócios que tem em conjunto com Vieira? Será pelo salário da SAD? Será porquê?

4 comentários:

Manuel disse...

"A história julga apenas os resultados, não os propósitos". Gregorio Maranon.

"Os historiadores são pessimistas por natureza porque o único futuro que que eles conseguem ver está no passado". Robert Skidelsky.

GeracaoBenfica disse...

tu és só parvo ou não tens nada que fazer Manuel?

Manuel disse...

Sou um parvo benfiquista.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Pois, como se sabe, porque está escrito em vários blogues, este presidente do meu/nosso Benfica perdeu a minha consideração pessoal nas últimas eleições.

Não interessa agora recuperar porquê. É levar areia prá praia.

E concordo, como já opinei anteriormente, que a saída do Ramires (um atleta extraordinário, na minha opinião) não foi devidamente compensada.

Mesmo assim queria apenas deixar duas notas.

O Sidnei (LFV/Bertolucci) e o J. Garcia (JJ/LFV) não foram contratados pela mão do grande Rui Costa. É praticamente um facto.

E também discordo quando se diz que o plantel não tem alternativa ao Maxi - tem, sim senhor, é o Ruben Amorim! Que fez e vai continuar a fazer óptimos jogos a lateral-direito.

(Não venham com essa treta de que o Ruben é um "médio-de-raiz" - pois é, o Coentrão também é "extremo-de-raiz"... É pena é não jogar nada naquela posição.)

Para o corredor direito há, por sua vez, duas opções que, em principio, dão garantias: Martins e Salvio (para além do próprio RA, claro).

Há também a alternativa de mudar o esquema, jogando em 4-3-3, talvez com o Weldon ou Jara ou até Saviola mais pelo flanco.

A mesma coisa digo em relação ao Gaitán. Com o tempo, será um bom atleta de corredor (esquerdo, como já demonstrou contra o Setúbal).