segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A entrevista (ou como muitos pensam, o manifesto Anti-Vieira)

O Presidente do Benfica deu uma entrevista à revista Única, do Expresso, enquadrada no tema "Vermelho". Com fotografias cuidadas, com especial enfoque no restauro das peças para o futuro Museu, Vieira esteve sempre sorridente durante a entrevista (perdi o número aos "risos") e respondeu às várias perguntas com muita simplicidade e com um discurso cuidado.

Fica na retina a qualidade da entrevista, quando é a enésima vez que lhe perguntam: "Como encontrou o Benfica quando entrou no clube?", sendo que o senhor entrou no clube um ano depois das eleições, onde Vilarinho ganhou a Vale e Azevedo.


No cômputo geral, a entrevista visa vários temas em que Luís Filipe Vieira já tinha dito mais do mesmo. Poderá ficar uma ou outra revelação, mas que passa sempre como um "não posso adiantar mais", ficando-se sempre na expectativa. Para a entrevista que foi, as respostas foram boas. Mostram algum cuidado com o discurso, o que também já não era sem tempo. Para o meu entretenimento pessoal, ficam algumas linhas do discurso directo de Sua Eminência (a ordem é seguida pela entrevista):


" Porque mudou para a construção civil? Surgiu a oportunidade. O dinheiro ganha-se com trabalho, não por mudar de actividade."


" O que correu mal na história do joelho de Mantorras? Vai voltar a jogar ou não? O Mantorras não vai jogar futebol. Está num processo com a companhia de seguros e será o nosso embaixador em Angola. Quanto ao resto... Estou impedido de falar do caso Mantorras."


" (...) Não lhe vou dizer quem foi, mas já tivémos de contratar um jogador para assegurar a totalidade do passe de outro. Aqui, a lógica é outra. Também já tivémos de contratar um jogador porque de outra forma a justiça do país em causa não nos deixaria trazer aquele que realmente nos interessava e que, passados três anos, deixou largos milhões no Benfica. Tudo isto tem de ser feito em sigilo, são operações que não podem ser explicadas."


" Se o Benfica falhar a Liga dos Campeões, a tesouraria do clube sobrevive? (...) Para responder à sua pergunta, quando concluirmos a renegociação dos direitos televisivos e dos outros contratos que acabam, até podemos estar um ou outro ano sem vender atletas."


" Em que ponto está a questão dos direitos televisivos? (...) Aqui há uns meses, um colega vosso, num outro jornal, escrevia que se o Benfica conseguisse vender os direitos acima de uma determinada verba me deviam fazer uma estátua. Espero que esse mesmo jornalista se comece a preparar para os trabalhos dessa obra (risos)."


" Há mesmo espiões no Benfica? (...) Imagine que está numa mesa com cinco pessoas, que fala em determinado nome e que no dia seguinte ele está na comunicação social... Começamos a olhar para essas cinco pessoas de forma diferente. Já inventou uma notícia para apanhar o tal espião interno? Já, já (risos). Estamos próximos de resolver esse caso. "


" Há diferenças entre Hermínio Loureiro e Fernando Gomes? Como julga o trabalho de ambos? (Fernando Gomes) (...) Até agora, não tenho nenhuma razão para não acresitar na sua seriedade e isenção. Hermínio Loureiro não teve o apoio do Benfica na sua eleição, mas eu manifestei discordância quando ele anuciou que não continuaria. Saíu cedo de mais."


" Mas achas normal um presidente da Liga telefonar a um presidente de um clube para discutir a nomeação de um árbitro? Na altura, quando havia uma final, tentava chegar-se a um consenso por causa de um árbitro."


" Fala com Joaquim Oliveira? Continuam amigos? Falo e considero-o amigo, nunca o escondi. Como também nunca escondi que a amizade nada tem a ver com a defesa dos interesses do Benfica, e esta é uma postura, que, da minha parte, se vai manter."


" Qual foi o último livro que leu? "A bola não entra por acaso", de Ferrian Soriano."

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