quinta-feira, 10 de março de 2011

Dos Direitos Televisivos

"Lê-se nos jornais que há gente com responsabilidades no Benfica que quer pôr fim ao contrato com a Olivedesportos.
Eis um tema que já poderia estar resolvido há dez anos quando o Benfica desistiu da sua justa causa depois de o Tribunal da Relação lhe ter dado razão naquele histórico litígio que marcou o consulado de Vale e Azevedo.
Foi, de facto, uma pena esse reatar de relações comerciais com a Olivedesportos depois de uma decisão judicial favorável às pretensões do Benfica. A Olivedesportos, esse "FMI do futebol português", como tão bem e tão inteligentemente António Oliveira, numa entrevista recente, definiu a empresa do irmão.
Acontece, muito simplesmente, que o Benfica, muito antes de a Olivedesportos ser "o FMI do futebol português", detinha precisamente o mesmo estatuto porque era e é o Benfica, com a sua força incomparável em número de adeptos, quem sustentava e sustenta todos os mercados: o mercado da comunicação social desportiva, o mercado das transferências, o mercado das bilheteiras dos demais clubes, o mercado das transmissões televisivas e por aí fora...
E se ainda hoje é o Benfica que continua a sustentar todos estes edifícios não se compreende, à luz da razão e da aritmética simples, como foi possível entregar a terceiros essa posição invejável.
É, na verdade, incrível como é que o Benfica, que não perdeu o número dos seus adeptos e que, em linguagem modernaça e objectivamente comprovada, é a marca comercial mais forte do país, declinou a sua posição ímpar em favor dos interesses financeiros e desportivos da Olivedesportos ou de quem quer que fosse.
Ciclicamente, melhor dizendo, sempre que o Benfica sofre um desaire significativo - como o último de Braga que marca a entrega do título ao FC Porto -, os benfiquistas são informados através dos jornais de que as altas estruturas da SAD estão a equacionar o rompimento desta ligação contra-natura com a empresa de Joaquim Oliveira.
É evidente que no dia em que a Olivedesportos não tiver o Benfica na sua lista de famintos e agradecidos, deixará de ser aquilo que é. E que, nesse mesmo dia, o Benfica também deixará de ser aquilo em que, ao demitir-se voluntariamente do seu estatuto, se deixou transfigurar.
Que esse dia chegue em breve. E, de preferência, de surpresa."

Leonor Pinhão, na edição de hoje do Jornal A Bola

3 comentários:

RA disse...

lapidar

DeVante disse...

A Leonor é a Leonor...nada a dizer!

A Olivedesportos é o FMI do futebol português mas o Benfica é os EUA deste futebol!!!

Anacleto disse...

Eu direi antes que, o SLBenfica é a econimia chinesadeste futebol tuga!
Vivó Glorioso