quarta-feira, 3 de junho de 2009

Porquê defender Eriksson

Há vários prismas a considerar: O racional, o histórico, o técnico, o emocional.
Sven Goran Eriksson faz parte do meu imaginário, da calma fleumática nas respostas a um bucha flatulento e mafioso que despontava no Norte do país com o beneplácito de um Presidente do Benfica, à revolução que trouxe ao Futebol Benfiquista. Na altura todos diziam dele que não tinha experiência de balneário(mas tinha ganho uma Taça UEFA), que era preciso uma mão de ferro para segurar as primadonnas do Benfica.
Tudo calou no primeiro ano. E que ano! Ficou mais dois, e em mais dois ganhou. Saiu para Itália. Deixou estrutura montada que valeu mais uma final europeia, infelizmente perdida como as botas no relvado.
Regressa e monta nova equipa, mais uma final europeia e um inesquecível título no antro da podridão, finaliza com uma queda nas meias finais ante um neo Barcelona Europeu. Foi por pouco.
Isto é o que sabemos, são factos. É história.
Hoje em dia o Benfica grita por referências. Somos um Clube histórico, logo a ausência de referências vitoriosas no Clube conduz àquilo que já apelidei de falta de identidade no, e do Benfica.
Dizem-me, "não tem experiência de banco e de balneário há muito", e Trapp? Há quanto não a tinha? O futebol não mudou assim tanto, ainda é preciso jogar com os pés!
Dizem-me,"está gordo e rico, acomodado a uma vida de conquistas", seja. Terá perdido a vontade de vencer? Nem pensar!
Dizem-me, "deve permanecer no imaginário benfiquista como um vencedor e não arriscar esse estatuto", porquê? Das duas uma, ou não se acredita na capacidade do homem, ou então na da direcção. Eu acredito em ambas.
Leio linhas infindáveis acerca de como só um homem com a experiência de Trappatoni tornou possível o título de 2005, pergunto, e Eriksson? Não a tem?
Leio argumentos lógicos acerca da falta de noção de grandeza do Benfica por parte da maioria dos treinadores do SLB, e Eriksson? Haverá quem melhor noção dessa grandeza tenha?
Leio considerações que visam as direcções, a imprensa e os sócios como principais réus da desestabilização permanente do Clube. E Eriksson? Não conseguirá ele, e só ele, ser à prova de imprensa, de alguns sócios e de Presidente?
Creio que foi em tudo isto que Rui Costa pensou, e é nisto em que acredito. Meus caros amigos, a teoria do jovem lobo faminto resulta para clubes com pouca bagagem histórica. Para um Clube que respira História por todos os poros, e que por esses poros sua desesperadamente pelo reencontro com a sua identidade ganhadora, defendo que a única experiência que se deve fazer com o novo técnico (para mim quique já foi, é assumido), é a de contratar um que faça de vitórias a sua experiência!
Temos o Homem ali, perto. Mais perto do que alguma vez esteve.
Recuperem-nos a História. Recuperem-nos a Identidade.
Saudações Benfiquistas.

8 comentários:

Leão Eça Cana disse...

nesta fase de "névoa" não gosto muito de discutir nomes, mas tendo lido todos os argumentos que enumeras, e reconhecendo-lhes a sua pertinência, penso que posso contribuir com o seguinte:

não só o Eriksson já não é o mesmo que cá esteve antes como o Benfica está completamente diferente daquilo que era (muito mais "dorido", muito mais incerto) e estas duas diferenças juntas poderão abalar o sucesso de todas as tuas certezas

ou não...
;)

piazzanuova disse...

ou não...exactamente. O Benfica está diferente porque derreteu a sua identidade, mandou embora demasiados jogadores bandeira que deveriam ter terminado a carreira no Clube (Paneira, Isaías, JVP, Mozer). Arranjando maneira de recuperar parte dessa identidade é meio camino andado. E não é difícil, quer-me parecer que o estão a tornar difícil. E isso é grave.

APLANE disse...

Concordo Piazza, com tudo, mas , não temos Jesus já apalavrado por 2 anos?
Parece me que as tuas preces dificilmente seão ouvidas...

H+a 2m mese que salta à vista de todos, infelizmente, qu JJ foia escolha...

Leão Eça Cana disse...

tens toda a razão neste comentário que fizeste (aliás, esta situação do nuno gomes -ainda não renovou, penso - é uma extensão daquilo que dizes)

concordo abslutamente naquilo que dizes, e tb já o digo ao tempo.

um dos maiores problemas do benfica é a desbastar da sua identidade através da dispensa daqueles que a podem transmitir aos que entram. mas a gde culpa é "da malta" querem é caras novas e sonantes todos os anos. não há nada a fazer

todos os adeptos deveriam por os olhos (e o coração) no execlente trabalho feito nas "amadoras". actualmente aquilo é que é o genuíno benfica. ali é que está a alma (no futebol, salvo meritórias excepções, só está o dinheiro)

Constantino disse...

Pois isto é tudo muito bonito mas no ano passado recusou o SLB, e nem interessa o porquê. Se a questão foi mesmo dinheiro, pois bem, este ano ainda há menos, que com o que ele pede de ordenado sempre dá para dar a entrada para mais um Chicão, um Schaffer ou coisa parecida.

Pedro disse...

O Eça Cana toca num ponto real, as situações não são as mesmas: nem o Benfica nem o Sven são os mesmos de então. A comparação com Trap não me parece muito correcta pq o italiano não esteve tanto tempo afastado de treinar um clube como Eriksson está.

" Das duas uma, ou não se acredita na capacidade do homem, ou então na da direcção"

Eu não acredito em ambas. Não há uma estrutura q suporte um treinador, seja ele qual for. Qd as coisas ficam mais negras ninguem aparece a apoiar, ninguem defende a equipa. Não acredito nas capacidades desta direcção. E tenho muitas dúvidas em relação a Eriksson e penso q a ida dele para o México reforça a ideia que tenho q neste momento ele não tem a "pica" necessária para pegar num clube de futebol com objectivos claros de vencer. Depois da temporada em Inglaterra onde ganhou rios de dinheiro, se tivesse essa vontade de trabalhar diariamente num clube de futebol, de lutar por objectivos diários tinha facilmente encontrado um clube. Optou pela riviera mexicana e deu-se mal...

Sem dúvida q é um nome histórico do clube, marcou o clube como poucos nestes ultimos 30 anos. Mas agora não me convence.

E para ter um treinador q não me convence prefiro q apostem em alguem mais "actualizado" com vontade clara de vencer, com tato de balneário, com conhecimento de causa, etc etc.

Referências? Sim fazem falta. E isso começa por manter um plantel equilibrado, mantendo os jogadores respeitados e com maior cultura benfiquista, com anos de casa. Temos Rui Costa, podemos dar mais relevo a Diamantino, fazer regressar um Mozer, etc. Acho q podemos e devemos fazer isso.

piazzanuova disse...

Trapp sabia e ainda sabe o que faz mover um Grande. Eriksson também. Qt à questão das motivações...é pá, estou-me um bocado nas tintas.Quem sabe de futebol como aquele homem sabe tem sempre cartel para treinar o GLORIOSO.

E claro, concordamos todos na necessidade de se dar maior espaço não só às referências, bem como aos "miúdos" da formação.

ilha_man disse...

Concordo que é necessário chamar gente que se identifique com a alma ganhadora do benfica. Erikson, Mozer são 2 bons exemplos disso. Manter os jogadores que sejam respeitados no balneário e saibam transmitir a identidade BENFICA é fundamental.Afinal, são sempre os jogadores que ganham jogos.
No entanto, e como já foi aqui referido, é necessário uma direcção que defenda a equipa no seu todo, principalmente nos tempos difíceis, que saiba ser forte e que faça "ouvidos de mercador ao 3º anel"! Esta sede e exigência de vitórias imediatas cega quem manda e infelizmente esta direcção em termos de gestão do futebol tem andado ao sabor dos ventos, prometendo os grandes amanhãs que se levantam, sem conseguir dar consistência ao projecto para o futebol. Para atingir a identidade de que falas é preciso dar tempo aos jogadores e equipa técnica. Revoluções anuais não criam espírito de equipa, nem as pessoas se revêem na equipa, aspectos que são fundamentais na aquisição da identidade.

Abraço